O governo brasileiro reiterou sua posição contrária à imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais durante uma reunião de alto nível realizada recentemente. O representante estadunidense de Comércio, Jamieson Greer, foi o interlocutor nesse encontro crucial, que antecedeu o prazo final para a decisão da administração do presidente Donald Trump sobre as sobretaxas.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), esta foi a quinta reunião entre as autoridades dos dois países desde maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump decidiram estabelecer um grupo de trabalho para o diálogo comercial.

Críticas às tarifas e investigação americana

O comunicado do Mdic destacou que o governo brasileiro criticou as recomendações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) como infundadas e sem justificativa técnica para a adoção de novas barreiras comerciais. As críticas abrangem tanto a proposta de sobretaxa de 25% para produtos brasileiros quanto a tarifa adicional de 12,5% relacionada à investigação sobre trabalho forçado, que também afeta outras economias.

O governo americano alega que o Brasil adota práticas prejudiciais aos interesses comerciais dos EUA em áreas como comércio digital, propriedade intelectual e questões ambientais. No entanto, o governo brasileiro contesta essas alegações e reafirma que as medidas comerciais propostas são injustas.

Decisão iminente e possível impacto

O prazo para a conclusão da investigação e a divulgação da decisão final está se aproximando, bem como a lista definitiva dos produtos que poderão ser afetados pelas sobretaxas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros exportados para os EUA poderão ser impactados, totalizando cerca de US$ 15 bilhões em exportações. Entre os produtos mencionados estão aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais.

Diante desse cenário, o governo brasileiro mantém as negociações diplomáticas e busca uma solução por meio do diálogo, mas não descarta a possibilidade de adotar medidas de resposta caso as tarifas sejam implementadas, reforçando a importância de um acordo bilateral mutuamente aceitável.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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