Um estudo recente revelou que as famílias de presos no Brasil arcam com um custo significativo ao suprir itens básicos de higiene e alimentação nas visitas aos detentos, que deveriam ser fornecidos pelo Estado. Esse cenário gera um gasto anual estimado em R$ 4,33 bilhões, segundo a pesquisa intitulada A pena sem sentença: famílias, gênero e a expansão silenciosa do poder punitivo.
O impacto nas famílias visitantes
O estudo destaca que, em sua maioria, as pessoas que fazem visitas nos presídios são mulheres, representando 94,1% dos visitantes. Esse cenário reflete uma “feminização e racialização do trabalho social” no sistema penitenciário, conforme apontado pelos pesquisadores. Além disso, mais de metade dos entrevistados gasta mais de R$ 200 por visita ao detento.
Os custos não se limitam aos itens básicos, incluindo transporte, refeições e, em alguns casos, hospedagem. Com base nos valores médios de kits de suprimentos, o custo das visitas semanais chega a comprometer cerca de 69,4% do salário mínimo vigente. As famílias se veem obrigadas a suprir necessidades materiais que deveriam ser garantidas pelo Estado.
Arbitrariedades e violências institucionais
Além dos custos financeiros, os visitantes enfrentam violências e arbitrariedades dentro das prisões. Cerca de 58,9% dos entrevistados relataram ter passado por constrangimentos e violências, incluindo revistas íntimas e exigências burocráticas que dificultam as visitas. A pesquisa também aponta maus-tratos, humilhações e situações que configuram tortura institucional.



