O governo dos Estados Unidos (EUA) divulgou detalhes sobre um acordo com a Venezuela que concederá, segundo a Casa Branca, o controle de 21% das reservas de petróleo do país sul-americano. A parceria será realizada ao longo de 100 anos por meio de uma empresa ligada ao Pentágono.
Em comunicado, a Casa Branca informou que os campos de petróleo serão operados pela North American Blue Energy Partnes (Nabep), uma empresa privada que detém 35% das ações sob o controle do Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos EUA.
Acordo de longa duração e polêmicas
Segundo a nota oficial, a Nabep concedeu ao Departamento de Estado dos EUA o direito de comprar 20% da produção de petróleo a custo de produção, visando garantir um suprimento estável e de baixo custo para facilitar o reabastecimento da Reserva Estratégica de Petróleo do país. Além disso, o governo dos EUA terá preferência na compra dos 80% restantes da produção e direito de veto na nomeação de membros do conselho de administração da empresa.
A parceria gerou controvérsias ao contradizer declarações da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que mencionou um acordo de 25 anos. Especialistas e grupos chavistas criticaram o teor “neocolonial” do acordo, considerando a Venezuela como alvo de influência estrangeira.
Com as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela enfrentou mudanças significativas após o sequestro do presidente Nicolás Maduro. Especialistas apontam para uma relação neocolonial entre os EUA e o país sul-americano, ressaltando a violência e a imposição de acordos por força externa.
O acordo surge em um contexto de queda nas reservas de petróleo global, influenciada por conflitos geopolíticos e fechamento de rotas de exportação. A empresa Napeb, com sede em Barbados e filiais na Venezuela, celebrou o investimento e aumento na produção de petróleo no país, tornando-se uma das principais produtoras em curto prazo.
Acordo de 100 anos e questões estratégicas
O acordo de 100 anos assinado pelos secretários da Guerra e do Departamento de Estado dos EUA concederia governança, propriedade econômica e garantia de fornecimento a baixo custo, abrangendo 17 campos de petróleo com cerca de 65 bilhões de barris. Isso representa 21% das reservas comprovadas da Venezuela e gera debates sobre os rumos da economia e política energética do país.
Em meio a críticas e polêmicas, a Venezuela optou por manter a diplomacia com os EUA, buscando investimentos e tecnologia para impulsionar sua produção de petróleo. O acordo histórico levanta questões sobre soberania, influência estrangeira e sustentabilidade econômica a longo prazo.



