O Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) divulgou dados alarmantes nesta quarta-feira (15) indicando que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida. Essa realidade distante representa 15% dos bebês globalmente, colocando em risco a saúde de milhões de crianças.
De acordo com o estudo, outras 7,3 milhões de crianças não completaram o ciclo básico de vacinação com as três doses que protegem contra difteria, tétano e coqueluche (DTP). A situação é preocupante, com o risco de surtos de doenças aumentando significativamente.
Desafios na Cobertura Vacinal e Alertas Globais
Segundo o Unicef, manter o índice de crianças sem doses de vacina é um risco elevado para surtos de doenças, especialmente em um cenário próximo ao observado em 2009. O relatório destaca que a interrupção do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo, evidenciando uma fragilidade na proteção das crianças.
A situação é agravada pelo fato de que mais de 411 mil casos de sarampo foram registrados em 2025 em surtos que afetaram 57 países. A cobertura vacinal abaixo do recomendado para o sarampo, de 95%, coloca em risco a saúde global, alertando para a necessidade urgente de medidas preventivas.
Brasil: Exemplo de Melhora e Críticas Nacionais
Enquanto muitos países enfrentam desafios na cobertura vacinal, o Brasil se destaca por melhorias constantes, reduzindo o número de crianças sem vacina. No entanto, ainda há críticas em relação à ausência de levantamentos independentes sobre o tema nos últimos anos, sugerindo a necessidade de maior transparência e qualidade nos dados.
Apesar dos avanços, o ciclo completo da tríplice (DTP-3) no Brasil mantém índices abaixo do ideal, com cobertura em torno de 86%. O país pode servir como exemplo de boas práticas, mas também destaca a importância da constante vigilância e aprimoramento dos programas de imunização.
Diante dos desafios globais, a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, ressalta a necessidade de esforços conjuntos para garantir a proteção das crianças, especialmente em contextos de conflito ou vulnerabilidade. A cooperação internacional e o compromisso com a saúde pública surgem como pilares fundamentais para enfrentar os obstáculos e manter a segurança vacinal em todo o mundo.



