Um levantamento divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) revelou que 588 áreas protegidas na Amazônia não registraram desmatamento nos primeiros seis meses deste ano. Esse número representa mais de 80% desses territórios, incluindo terras indígenas e unidades de conservação.
Os dados surgem em meio a um cenário de tensões internacionais, já que o governo dos Estados Unidos utilizou o desmatamento ilegal como uma das justificativas para impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em resposta, o governo brasileiro contestou as acusações, afirmando que os índices de desmatamento têm diminuído desde 2023.
Menor desmatamento em 8 anos
De acordo com o Imazon, a Amazônia registrou 1.145 quilômetros quadrados de floresta derrubada nos primeiros seis meses de 2026, o que representa uma redução de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse é o menor índice dos últimos oito anos, com uma queda significativa de 76% em comparação com 2022, ano que marcou o pico de desmatamento.
Apesar da diminuição geral, o estudo identificou áreas de pressão contínua sobre a floresta, com destaque para a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, que foi responsável por metade do desmatamento registrado nas áreas protegidas da Amazônia no primeiro semestre.
Impacto das unidades de conservação
A Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, também no Pará, ganhou atenção devido à aprovação de um projeto de lei que reduz sua área. Segundo o Imazon, essa foi a quinta unidade de conservação mais desmatada na região, perdendo 3,45 km² de floresta durante o período.
Brenda Brito, coordenadora do Programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon, destacou a importância das unidades de conservação na contenção do desmatamento e na luta contra as mudanças climáticas. Ela defendeu o veto do projeto de lei pelo Presidente.
A análise do Imazon também apontou que apenas dois dos nove estados que compõem a Amazônia Legal apresentaram aumento no desmatamento, enquanto os demais registraram quedas significativas, com o Pará liderando em área desmatada, seguido por Mato Grosso e Amazonas.



