Um projeto inovador está levando tratamento gratuito para doenças negligenciadas na região amazônica, impactando positivamente a vida de pacientes como Augusto Bezerra da Silva, um seringueiro e agricultor familiar diagnosticado com a rara Doença Jorge Lobo, conhecida como lobomicose, que afeta severamente sua qualidade de vida.
Impacto da Lobomicose na Vida dos Pacientes
A lobomicose causa lesões nodulares semelhantes a queloides em partes do corpo como orelhas, pernas e braços, gerando um impacto psicológico profundo nos pacientes. Muitos acabam se isolando devido ao estigma da doença, como foi o caso de Augusto, que teve que interromper suas atividades devido à dor e inflamação causadas pelos caroços no rosto.
O Ministério da Saúde registra 907 casos da doença, sendo 496 no Acre, atingindo principalmente populações ribeirinhas e povos originários com pouco acesso a serviços de saúde.
Projeto Aptra Lobo: Transformando Vidas na Região Norte
Diante da falta de diagnóstico e tratamento eficaz, o Ministério da Saúde criou o projeto Aptra Lobo, que acompanha 104 pacientes com lobomicose nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia. O objetivo é estruturar o manejo da doença no SUS, promovendo assistência, pesquisa clínica e geração de evidências para diretrizes.
O tratamento gratuito é realizado com o antifúngico itraconazol, com resultados promissores, incluindo mais de 50% de melhora nas lesões dos participantes. Além disso, o projeto amplia o acesso ao diagnóstico em áreas remotas, realiza cirurgias para remoção de lesões e oferece acompanhamento contínuo aos pacientes.
Desafios e Superando Barreiras
O difícil acesso às comunidades ribeirinhas representa um desafio, mas equipes locais atuam ativamente no projeto, realizando diagnósticos e tratamentos conforme as diretrizes estabelecidas. O acompanhamento dos pacientes é feito a cada três meses, com apoio de centros de referência em Rio Branco, Manaus e Porto Velho.



