Durante a Cúpula do G7, realizada em Évian, França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo enfático aos países ricos nesta terça-feira (16), exigindo maior empenho na redução das desigualdades que assolam o mundo. Lula destacou que a distância entre a prosperidade de Évian e a realidade de bilhões de pessoas nos países do Sul Global continua a aumentar, ressaltando a necessidade urgente de solidariedade internacional para enfrentar esse cenário desigual.
Crítica às prioridades e gastos
O presidente brasileiro não poupou críticas às prioridades globais, apontando que reduções significativas nos financiamentos de organizações como o Programa Mundial de Alimentos, a Organização Mundial da Saúde e o UNICEF, aliadas aos altos gastos militares anuais de quase US$ 3 trilhões, têm impactos diretos nas condições de vida de milhões de pessoas nos países em desenvolvimento. Lula enfatizou que é essencial corrigir as desigualdades estruturais que perpetuam um sistema de distribuição de riqueza profundamente desigual.
Desafios persistentes
Ao lembrar sua participação em cúpulas anteriores do G8 e G7, o ex-presidente brasileiro destacou a falta de respostas coletivas e duradouras para os desafios globais. Lula criticou discursos que promovem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade, ressaltando que o protecionismo e o unilateralismo não são soluções adequadas para a complexidade dos problemas enfrentados atualmente.
Sem citar nomes, Lula mencionou que o primeiro trilionário do mundo possui mais riqueza do que os 46% mais pobres da população global, evidenciando a disparidade econômica gritante que persiste. O presidente reforçou a importância de seguir as diretrizes apontadas pela Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento, enfatizando que o verdadeiro desafio não é a escassez, mas sim a implementação efetiva e a vontade política para promover mudanças significativas.



