Sete pessoas, incluindo um ex-policial civil, foram absolvidas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo das acusações de integrar uma quadrilha de agiotas que movimentou mais de R$ 60 milhões em quatro anos na região de Franca, interior paulista. A decisão de segunda instância foi proferida nesta quinta-feira (27).
Evanderson Lopes Guimarães, Douglas de Oliveira Guimarães, Ezequias Bastos Guimarães, Ronny Hernandes Alves dos Santos, Bruno Bastos Guimarães, Leomábio Paixão da Silva e o ex-policial Rogério Camillo Requel foram considerados inocentes dos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, usura, corrupção ativa e passiva.
Em dezembro do ano passado, os réus haviam sido condenados a 20 anos de prisão. Com a decisão de absolvição, as penas de Evanderson, Douglas e Ezequias foram reduzidas a sete e seis meses de prisão, respectivamente. No entanto, por já estarem presos desde a condenação, eles foram libertados. Todos os bens apreendidos durante a operação foram devolvidos aos proprietários.
A defesa de Douglas, representada pelo advogado Rafael Garcia Spirlandeli, afirmou ter demonstrado diversas irregularidades no processo e falhas na tipificação dos crimes. O advogado Márcio de Freitas Cunha, que defende Ezequias, declarou que todos os réus foram absolvidos por unanimidade. Segundo Cunha, os desembargadores absolveram os acusados dos delitos de ocultação e dissimulação de capitais, organização criminosa e corrupção ativa. Apenas três acusados foram condenados por usura pecuniária, mas como o tempo de prisão preventiva excedeu as penas, estas foram extintas.
Na terça-feira (25), cinco pessoas que também faziam parte da mesma quadrilha foram condenadas por organização criminosa, usura com cobrança de juros abusivos mediante grave ameaça, corrupção ativa e lavagem de capitais. Rayander Luiz Nascimento, Célio Luís Martins, Jonathan Nogueira dos Santos Reis, e os irmãos Everaldo Bastos Guimarães e Eraldo Bastos Guimarães receberam penas de 17 anos, 3 meses e 18 dias de reclusão em regime inicial fechado e 7 meses e 6 dias de detenção em regime semiaberto para o crime de usura.
As investigações apontaram que a quadrilha atuou entre 2020 e 2024, operando de forma estruturada e com divisão de funções. As provas reunidas, como interceptações telefônicas, análise de transações bancárias e documentos apreendidos, demonstraram permanência, hierarquia e coordenação entre os envolvidos. A organização criminosa é acusada de fazer ameaças de morte aos inadimplentes e a seus familiares.
Fonte: g1.globo.com



