Para combater o crime organizado de forma eficaz, é crucial “asfixiar as fontes de financiamento”. A declaração foi feita pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante uma coletiva de imprensa em São Paulo, onde comentou sobre os resultados da Operação Fronteira da Receita Federal.
O ministro enfatizou a necessidade de mirar nos líderes das organizações criminosas. “Não adianta só o chão de fábrica, nós precisamos chegar nos CEOs. Os CEOs do crime organizado precisam pagar também pelo que fazem”, ressaltou Haddad, indicando que a repressão deve alcançar a gestão e a diretoria, para evitar que o dinheiro continue alimentando as atividades criminosas.
A declaração de Haddad ocorre em um momento sensível, após uma operação policial no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, que resultou em um grande número de mortes e gerou críticas internacionais. Segundo o ministro, o combate ao crime organizado não pode se limitar às comunidades, sendo essencial atingir o comando que se beneficia dos lucros ilícitos.
Haddad fez um apelo ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, para que seu partido aprove a lei do devedor contumaz. Essa legislação visa endurecer as regras para quem utiliza a inadimplência fiscal como estratégia de negócio, evitando o pagamento de tributos de forma reiterada. “O PL precisa compreender a importância desse projeto que estava adormecido”, afirmou Haddad.
O ministro explicou que muitos devedores contumazes estão envolvidos com atividades criminosas. Para ele, o devedor contumaz utiliza estratégias jurídicas e fraudulentas para impedir que a Receita Federal e as polícias rastreiem o dinheiro lavado em atividades aparentemente lícitas.
Para fortalecer o combate ao crime organizado, a Receita Federal publicou uma instrução normativa que obriga os fundos a divulgarem os CPFs dos beneficiários. “Agora todos os fundos vão ser obrigados a dizer até o CPF. Então, se houver um esquema aí de pirâmide, de fundo que controla fundo que controla fundo, você vai ter que chegar no CPF da pessoa”, explicou Haddad.
A Operação Fronteira, que teve início em 22 de outubro, resultou na prisão de 27 pessoas e na apreensão de 213 mil litros de bebida adulterada e mais de 3 toneladas de drogas. Além disso, foram apreendidas mais de mil armas e descoberto um plano de furto desses armamentos.
A operação foi realizada em 60 municípios de 20 estados, com a participação de diversas instituições de segurança pública e fiscalização, como o Exército Brasileiro, a Marinha do Brasil, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. A Receita Federal informou que foram retirados de circulação mais de R$ 160 milhões em mercadorias ilegais e apreendida uma aeronave transportando mais de 500 smartphones.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



