Uma situação que vem ganhando força nos bastidores políticos e despertando a atenção da população de Itapevi envolve a atuação da vereadora Marina Dornellas (União Brasil), que, mesmo após declarar afastamento formal da presidência da ONG “Ser Amor”, continua sendo apontada como figura central nas ações da entidade.
A controvérsia se intensificou após a própria parlamentar divulgar, em suas redes sociais, uma parceria entre a ONG e a empresa Enel, voltada à substituição de refrigeradores para famílias em situação de vulnerabilidade — uma iniciativa social relevante, mas que levanta um questionamento inevitável: trata-se de ação institucional legítima ou de promoção política disfarçada?
Além disso, outro fator agrava o cenário: a ONG atualmente funciona em um imóvel público pertencente à Prefeitura de Itapevi, o que amplia as dúvidas sobre possível favorecimento, uso indevido da máquina pública e eventual confusão entre o público e o privado.
Afastamento apenas no papel?
Embora a vereadora tenha se desligado oficialmente da presidência da entidade ao assumir o mandato, especialistas em direito público alertam que o afastamento precisa ser efetivo — e não meramente formal.
Quando há indícios de influência contínua, participação indireta ou protagonismo nas ações da entidade, pode-se caracterizar o chamado “afastamento de fachada”, situação que pode configurar conflito de interesses e, em casos mais graves, até improbidade administrativa.
Entre os principais pontos de alerta, destacam-se:
- Manutenção de vínculo indireto com entidade potencialmente beneficiada por recursos públicos;
- Atuação como gestora de fato, mesmo sem cargo formal;
- Uso da imagem institucional da ONG para promoção pessoal;
- Utilização de estrutura pública por entidade ligada a agente político;
- Risco de direcionamento de benefícios sociais com viés político.
Denúncias provocam mudança de comportamento
O cenário ganhou novos contornos após denúncias serem formalizadas junto ao Ministério Público e à Câmara Municipal de Itapevi.
Desde então, a vereadora passou a adotar uma postura diferente em sua comunicação pública. Vídeos recentes mostram a parlamentar ao lado da atual presidente da ONG, afirmando que sua participação se limita a “apoiar” e “acompanhar” as ações sociais.
No entanto, registros anteriores publicados pela própria vereadora mostram uma atuação mais direta, ativa e protagonista dentro da entidade, o que levanta dúvidas sobre a coerência da nova narrativa.
Outro elemento que chama atenção é o uso recorrente da camiseta da ONG “Ser Amor” em vídeos e ações públicas — inclusive nas iniciativas vinculadas à parceria com a Enel — reforçando visualmente sua associação com a entidade e potencializando sua identificação política com o projeto social.
Para analistas, essa mudança de postura após a repercussão das denúncias pode indicar uma tentativa de readequação de discurso, possivelmente visando reduzir riscos jurídicos e conter o desgaste político.
Uso de ação social como vitrine política?
A parceria com a Enel, que deveria seguir um caráter institucional e amplo — geralmente articulado em conjunto com a Prefeitura e canais oficiais de assistência social — passou a ter forte divulgação nas redes pessoais da vereadora.
Esse ponto levanta outro debate sensível: por que uma ação dessa magnitude não está sendo amplamente conduzida pelos canais oficiais do município, que possuem maior alcance e estrutura, e aparece com protagonismo em uma rede pessoal vinculada a um agente político?
A centralização da divulgação em um perfil parlamentar pode indicar tentativa de capitalização política sobre uma ação social que, em tese, deveria ser neutra, institucional e apartidária.
Legalidade depende de investigação
É importante ressaltar que, do ponto de vista jurídico, nenhuma irregularidade pode ser afirmada sem apuração formal e produção de provas.
No entanto, o conjunto de indícios — manutenção de imagem, protagonismo em ações, uso de estrutura pública e mudança de narrativa após denúncias — configura um cenário que justifica investigação por órgãos de controle.
Decisões reiteradas do Supremo Tribunal Federal (STF) reforçam que a separação entre interesse público e privado deve ser absoluta, especialmente quando há potencial conflito envolvendo agentes políticos.
Pressão por transparência aumenta
Diante da repercussão do caso, cresce a pressão por esclarecimentos objetivos:
- Qual é, de fato, o nível atual de participação da vereadora na ONG?
- Existe ou existiu uso de recursos públicos nas ações promovidas?
- Em quais condições o imóvel público foi cedido à entidade?
- Há separação real entre o mandato político e a atuação da ONG?
A sociedade cobra respostas claras, enquanto o caso pode ganhar novos desdobramentos nos próximos dias, tanto no campo político quanto jurídico.
Conclusão: coincidência ou estratégia?
O caso coloca em evidência um debate recorrente na política brasileira: o limite entre atuação social legítima e uso estratégico de projetos sociais para fortalecimento de imagem pública.
Se por um lado ações sociais são fundamentais, por outro, quando há sobreposição entre mandato, entidade privada e exposição pessoal, o risco de desvio de finalidade se torna inevitável.
A apuração dos fatos será determinante para esclarecer se estamos diante de uma coincidência administrativa ou de uma estratégia política cuidadosamente estruturada.
Confira todos os vídeos e evidencias dos fatos!!!
O espaço permanece aberto para manifestação da vereadora e da ONG “Ser Amor”.





