Micaela Cyrino nasceu em São Paulo e carrega consigo a vivência com o HIV desde o nascimento, transmitido verticalmente. Ela faz parte da geração de crianças afetadas no início da epidemia, época em que os protocolos de prevenção e o acesso ao tratamento não eram eficazes.

Aos seis anos, Micaela perdeu sua mãe para a AIDS. Após o diagnóstico, foi acolhida em um abrigo destinado a crianças soropositivas, onde construiu laços e considera ter encontrado sua verdadeira família, composta por outras crianças, educadores e funcionários.

A Jornada de Micaela: da Arte à Resistência

Crescendo em meio aos primeiros tratamentos contra o HIV, marcados por medicamentos pouco adaptados para crianças e regimes extremamente pesados, Micaela também enfrentou a perda de muitos amigos do abrigo, o que deixou marcas profundas em sua adolescência.

Desde cedo, Micaela recebeu formação em artes, estudou Moda e Artes na Faculdade Santa Marcelina. Paralelamente, iniciou sua atuação no movimento de pessoas vivendo com HIV ainda na adolescência, decidindo revelar publicamente sua sorologia por meio de uma peça teatral realizada em sua escola.

Atuação e Resiliência

Em 2008, Micaela foi uma das fundadoras da Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV, que posteriormente se expandiu para a América Latina. Sua militância abraçou as pautas do feminismo e do movimento de mulheres negras, além de concentrar-se na produção artística, desenvolvendo performances, pinturas e intervenções urbanas que abordam HIV, estigma, negritude e a indústria farmacêutica.

Micaela acredita que o estigma é um dos principais desafios na resposta ao HIV e defende que o tema seja tratado sem segredos. Sua abordagem militante é baseada na arte, na acolhida e no diálogo, optando pela construção em vez do confronto constante. Após crescer sob a sombra da morte, seu grande projeto hoje é aprender a envelhecer e vislumbrar um futuro longo para si mesma.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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