O vereador André Rodini (Novo), de Ribeirão Preto (SP), encontra-se no centro de uma denúncia por quebra de decoro parlamentar, após o envio de uma mensagem em um grupo interno de WhatsApp de seu gabinete. A representação foi protocolada por um ex-assessor do parlamentar e alega que Rodini utilizou uma expressão considerada discriminatória ao se referir à distribuição de bolo à população, em setembro do ano passado, durante as celebrações do aniversário do Mercado Municipal. A frase “pobre fazendo pobrice”, seguida da indagação “Vai ter pobre fazendo pobrice lá pegando bolo com balde?”, desencadeou a controvérsia que agora pode levar a uma investigação formal sobre a conduta do vereador. A situação levanta questões sobre o limite da comunicação em ambientes internos e as implicações éticas de declarações de figuras públicas, mesmo em contextos informais. A denúncia chega à Câmara Municipal em um momento de preparativos para o ano eleitoral, adicionando uma camada de complexidade ao cenário político local.
A controvérsia da fala e a denúncia
O incidente no grupo de WhatsApp
A denúncia contra o vereador André Rodini foi formalizada na quinta-feira, dia 15, pelo ex-assessor Alexandre Meirelles Nogueira Ribeiro. O cerne da queixa reside em uma troca de mensagens ocorrida em um grupo fechado de WhatsApp, utilizado para assuntos internos do gabinete. Em setembro do ano passado, ao comentar sobre a comemoração dos 125 anos do Mercado Municipal de Ribeirão Preto, que incluiria a distribuição gratuita de bolo à população, o vereador teria questionado: “Vai ter pobre fazendo pobrice lá pegando bolo com balde?”. Esta frase, considerada pelo denunciante como discriminatória e ofensiva, foi o estopim para a representação encaminhada à Câmara.
Segundo o ex-assessor, a fala de Rodini ocorreu em um diálogo sobre a agenda oficial do parlamentar e oportunidades para interagir com a população. Dois dias após a mensagem, o próprio assessor teria advertido o vereador sobre o caráter inadequado e imoral do texto. Conforme prints apresentados na denúncia, o assessor teria enfatizado que tal postura “demonstra orgulho e falta de caridade”, citando princípios de fraternidade e compaixão. A preocupação com um possível vazamento da fala para a mídia também foi levantada pelo ex-assessor na ocasião, ao que Rodini teria respondido que, se houvesse vazamento, seria intencional por parte de algum membro do grupo, defendendo a privacidade dos assuntos tratados internamente.
As justificativas do parlamentar e as acusações de retaliação
Defesa do vereador e o pano de fundo político
O vereador André Rodini se declarou tranquilo em relação à denúncia e nega que sua fala tenha tido qualquer intenção discriminatória. Ele argumenta que o comentário foi feito em tom de brincadeira, como parte de um linguajar jocoso e interno do gabinete, baseado em um “meme” frequentemente utilizado pela equipe. Rodini enfatizou que a frase não foi direcionada a nenhuma pessoa específica, nem ao Mercado Municipal, e que, em seu entendimento, não houve ofensa pessoal ou exposição de qualquer indivíduo. “Eu não imaginava que isso fosse virar motivo de investigação de conduta”, afirmou o parlamentar, ressaltando que o grupo de mensagens era de trabalho e não deveria ser interpretado como público.
Além de sua defesa sobre a natureza da fala, Rodini levantou a suspeita de que a denúncia possui motivações políticas, especialmente por ocorrer em ano eleitoral. Ele afirmou que o autor da representação é um ex-assessor que havia sido demitido recentemente por baixa produtividade. Para o vereador, a ação seria uma tentativa de prejudicá-lo politicamente. “Em ano eleitoral, tudo vale. A desconstrução da imagem pública de alguém pode partir de todos os lugares, inclusive dos que a gente menos imagina”, declarou. Rodini expressou confiança de que a denúncia não prosperará na Câmara, pois não houve, em nenhum momento, desrespeito ao interesse público, corrupção ou desvio de dinheiro, classificando a investigação como um pedido sobre “uma brincadeira”.
A cronologia dos fatos e o ponto de vista do ex-assessor
A denúncia apresenta uma cronologia que coloca em xeque a versão de Rodini sobre a motivação da queixa. Conforme o relato do ex-assessor Alexandre Meirelles Nogueira Ribeiro, a advertência sobre a inadequação da fala do vereador ocorreu dois dias após a mensagem controversa. Nogueira Ribeiro teria alertado Rodini sobre o impacto moral e ético de suas palavras, chegando a citar a doutrina espírita, que prega o respeito a todos, a caridade e a luta contra o preconceito social, condenando qualquer ridicularização de pessoas pobres. A preocupação com um possível vazamento da informação para a mídia também foi expressa pelo ex-assessor.
Pouco tempo depois dessa troca de mensagens, a relação profissional entre eles chegou ao fim. Consta na denúncia que, apenas dois dias após a mensagem de advertência do ex-assessor, o vereador o procurou para que ele deixasse o cargo. A saída do assessor ocorreu efetivamente no início de novembro. Essa sequência de eventos sugere que a denúncia, embora protocolada meses depois, estaria enraizada em um conflito que culminou na demissão do funcionário, o que poderia dar suporte à tese de retaliação ou de que a denúncia não seria meramente um ato isolado de um ex-funcionário insatisfeito, mas uma resposta a um comportamento que ele considerou inadequado.
Implicações e o futuro da investigação
Análise jurídica e o trâmite na Câmara
A denúncia por quebra de decoro contra o vereador André Rodini agora seguirá os trâmites regimentais da Câmara Municipal de Ribeirão Preto. Segundo informações da própria Casa Legislativa, a representação deve ser lida em plenário e, posteriormente, avaliada pelos demais vereadores. A retomada dos trabalhos do Legislativo, agendada para 2 de fevereiro, marcará o início do processo de análise. A partir daí, será decidido se a denúncia preenche os requisitos mínimos para motivar a abertura de uma investigação formal, que poderia culminar, em última instância, em um processo de cassação do mandato do parlamentar.
Especialistas em direito eleitoral apontam que, embora qualquer cidadão tenha legitimidade para representar contra vereadores, a denúncia precisa estar bem fundamentada e cumprir certas formalidades para que uma investigação seja de fato instaurada. A análise dos vereadores, portanto, não se limitará apenas ao mérito da fala, mas também à forma como a denúncia foi apresentada e se ela cumpre todos os requisitos legais e regimentais para prosseguir. O caso, portanto, coloca em evidência a responsabilidade dos representantes públicos, mesmo em comunicações consideradas privadas, e a importância dos mecanismos de fiscalização e controle sobre a conduta ética dos eleitos. O desfecho da investigação será crucial para definir os limites do decoro parlamentar e as consequências de declarações polêmicas no cenário político.
A denúncia contra o vereador André Rodini, de Ribeirão Preto, revela a complexidade das interações políticas na era digital e a crescente fiscalização sobre as declarações de figuras públicas. Enquanto o parlamentar defende a natureza jocosa e interna de sua fala, o ex-assessor aponta para uma quebra de decoro com implicações éticas e sociais sérias. A Câmara Municipal tem agora a responsabilidade de analisar cuidadosamente os fatos, considerando as diferentes perspectivas e o impacto que a decisão terá na percepção pública sobre a integridade e o respeito no ambiente legislativo. O caso transcende a simples troca de mensagens, tornando-se um teste para a definição dos padrões de conduta esperados de quem ocupa um cargo público, especialmente em uma sociedade cada vez mais atenta à inclusão e ao combate a qualquer forma de discriminação.
Perguntas Frequentes
O que é a denúncia contra o vereador André Rodini?
É uma representação por quebra de decoro parlamentar protocolada por um ex-assessor, Alexandre Meirelles Nogueira Ribeiro, contra o vereador André Rodini (Novo), de Ribeirão Preto (SP).
Qual foi a frase que motivou a denúncia?
A frase foi “Vai ter pobre fazendo pobrice lá pegando bolo com balde?”, dita em um grupo fechado de WhatsApp do gabinete, referindo-se à distribuição de bolo gratuito no aniversário do Mercado Municipal.
Qual a defesa do vereador André Rodini?
O vereador afirma que a fala foi em tom de brincadeira, um “meme” interno do gabinete, não direcionada a ninguém e sem intenção de ofender. Ele também sugere que a denúncia tem motivações políticas em ano eleitoral e que o ex-assessor foi demitido por baixa produtividade.
Quais os próximos passos da investigação na Câmara?
A denúncia será lida em plenário na retomada dos trabalhos legislativos, em 2 de fevereiro, e avaliada pelos vereadores para decidir se preenche os requisitos para a abertura de uma investigação formal sobre a conduta do parlamentar.
Acompanhe as próximas atualizações sobre este caso e outros desenvolvimentos políticos em Ribeirão Preto.
Fonte: https://g1.globo.com



