No interior de Minas Gerais, a cidade do Serro mantém viva uma tradição que atravessa séculos. Com mais de 300 anos de história, o município de pouco mais de 20 mil habitantes preserva a arte da produção de queijos de forma única e singular.

Fundada na exploração do ouro, a região do Serro, originalmente conhecida como Ibitirui, é marcada por suas serras dos morros dos ventos frios. A historiadora Zara Simões ressalta que a primeira bateada de ouro foi realizada por Jacinta Siqueira, uma mulher negra vinda da Bahia, que encontrou os primeiros vestígios do metal precioso.

Ao redor do córrego Quatro Vinténs, o Serro viu sua história se desenrolar. Com a chegada dos portugueses, a tradição lusitana se mesclou à cultura local, resultando em uma das heranças mais marcantes: a receita do queijo Minas artesanal. Um legado que une o leite cru, o pingo e uma técnica ancestral de produção.

O tropeirismo e a tradição local

Após o declínio da exploração do ouro, a comunidade do Serro se voltou para a agricultura e a comercialização de produtos. Os tropeiros desempenharam um papel fundamental nessa transição, transportando cargas em lombos de burros e mulas. Marcos Felipe, violeiro local, destaca a importância do tropeirismo na história da região e promove eventos como a tropeada, resgatando a tradição com orgulho e devoção.

A devoção a Santa Rita, padroeira dos tropeiros, é celebrada anualmente com os tropeiros cruzando as ruas do Serro em jumentos, entoando cânticos e rezas. Esse modo de vida caipira, enraizado na produção de queijo e na cultura local, é parte essencial da identidade serrense.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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