Peruíbe, no litoral de São Paulo, enfrenta um cenário devastador de inundações após as intensas chuvas que assolaram a Baixada Santista. As vias da cidade permanecem submersas, transformando ruas e avenidas em verdadeiros rios e forçando a evacuação de centenas de moradores. Mais de 480 pessoas foram desalojadas, necessitando de abrigos ou acolhimento em residências de familiares. A complexidade da situação é agravada pela recusa de parte da população em deixar suas casas, motivada pelo receio de saques em meio ao caos. Equipes de resgate utilizam botes para navegar pelas áreas alagadas, prestando socorro e entregando suprimentos, enquanto a região se mobiliza para enfrentar os impactos persistentes do temporal.
O impacto das fortes chuvas na Baixada Santista
A situação crítica em Peruíbe
Desde o último fim de semana, Peruíbe tem sido uma das cidades mais castigadas pelas fortes chuvas na Baixada Santista. As ruas e avenidas permanecem em grande parte intransitáveis devido aos alagamentos, gerando um cenário de calamidade que exige uma resposta contínua e massiva das autoridades. O número de pessoas afetadas é alarmante, com mais de 480 moradores que tiveram de deixar suas residências. Desse total, 381 indivíduos encontraram refúgio nos abrigos temporários disponibilizados pela prefeitura, enquanto aproximadamente 100 foram acolhidos por familiares e amigos em locais seguros.
A operação de resgate em Peruíbe é incessante. Equipes dedicadas utilizam botes para realizar rondas pelas áreas mais atingidas, buscando por famílias em situação de risco e oferecendo apoio. A situação, no entanto, é complexa, pois uma parcela significativa dos moradores, temendo a ocorrência de saques em suas propriedades desocupadas, tem se recusado a abandonar seus imóveis. Para essas famílias, os profissionais se esforçam em levar doações essenciais, como alimentos e kits de higiene, garantindo um mínimo de dignidade e segurança.
Para coordenar os esforços e garantir atendimento ininterrupto, a Defesa Civil de Peruíbe mantém um posto de comando ativo 24 horas por dia no bairro Caraguava. Este centro é o ponto focal para todas as solicitações de resgate e para a gestão de ocorrências emergenciais. Adicionalmente, as aulas da rede municipal de ensino foram suspensas como medida preventiva para salvaguardar a segurança de alunos, professores e funcionários. A administração municipal também atua na recepção de doações de alimentos, itens de higiene pessoal e roupas, que podem ser entregues no Fundo Social de Solidariedade, localizado na Avenida São João, nº 664. As equipes da prefeitura prosseguem com os atendimentos sociais, a distribuição de auxílio e o monitoramento constante das áreas vulneráveis.
Desafios em Mongaguá, Itanhaém, Santos e São Vicente
As consequências das chuvas não se limitaram a Peruíbe, estendendo-se por outras cidades do litoral paulista. Em Mongaguá, o transbordamento de dois rios na quinta-feira resultou no desabrigo de 48 pessoas, que foram prontamente encaminhadas para um abrigo temporário montado no Ginásio Arthurzão. A exemplo de Peruíbe, as aulas também foram suspensas na cidade para garantir a segurança da comunidade escolar.
Itanhaém também sentiu o impacto severo do temporal, com as aulas suspensas e diversas ruas e avenidas intransitáveis devido aos alagamentos. Pelo menos duas pessoas, acompanhadas de seus oito animais de estimação, ficaram desalojadas e buscaram abrigo na casa de parentes. Moradores como Maria Luiza da Silva, do bairro Cibratel, relataram ter ficado ilhados múltiplas vezes na semana, impossibilitados de realizar tarefas básicas como comprar alimentos, com a água invadindo até mesmo os quintais das residências.
Em Santos, os morros foram colocados em estado de atenção, alertando para o risco de deslizamentos. O índice pluviométrico registrado nas últimas 72 horas atingiu 143,5 mm, um volume significativo que contribuiu para o alagamento da Avenida Nossa Senhora de Fátima em ambos os sentidos, onde apenas a faixa da esquerda permaneceu transitável. A cidade também reportou ocorrências como a queda de galhos de árvores em vias públicas, com equipes municipais já mobilizadas para a remoção dos detritos e a liberação total das áreas afetadas.
São Vicente também permaneceu em estado de atenção, com um registro de 118,5 mm de chuva nas últimas 24 horas. A Defesa Civil local foi acionada para atender a diversas ocorrências, incluindo a drenagem de água em um fosso de elevador, a queda de uma árvore na Praça da Biquinha e serviços preventivos para avaliar o risco de queda de outra árvore. O monitoramento preventivo no Morro dos Barbosas também foi intensificado. Apesar dos desafios, a prefeitura informou que, até o momento, não houve registros de moradores desabrigados na cidade, mas as equipes permanecem em prontidão para qualquer eventualidade.
Ações de resposta e perspectivas futuras
Mobilização de equipes e suporte aos atingidos
Diante da magnitude dos estragos, a Defesa Civil do Estado de São Paulo, em colaboração com o Fundo Social do Estado, rapidamente enviou ajuda humanitária crucial para as cidades mais afetadas. Para Peruíbe, foram destinados quatro pallets de água potável, 200 cestas básicas, uma vasta quantidade de roupas, sapatos, brinquedos, ração para cães e gatos, e até mesmo uma cadeira de rodas, visando atender às necessidades emergenciais e específicas dos desalojados.
Mongaguá também recebeu um reforço significativo, com a chegada de 125 cestas básicas, 300 kits de limpeza e higiene, 150 colchões, 150 travesseiros, conjuntos de cama, cobertores e mais água mineral. A primeira-dama do estado e presidente do Fundo Social, Cristiane Freitas, acompanhou pessoalmente a entrega desses itens e visitou os abrigos provisórios em Peruíbe, demonstrando o compromisso das autoridades com o suporte direto às comunidades atingidas. Essas ações coordenadas são fundamentais para mitigar o sofrimento da população e garantir o acesso a recursos básicos em um momento de extrema vulnerabilidade.
Alerta para os próximos dias
Apesar de uma possível perda de intensidade em relação aos últimos dias, a Defesa Civil Estadual alerta que as chuvas podem continuar persistentes em todo o litoral paulista. Essa previsão exige uma “atenção redobrada” por parte dos moradores e das autoridades, especialmente devido ao risco iminente de transtornos adicionais, como deslizamentos de terra em áreas consideradas mais vulneráveis. A saturação do solo e a instabilidade geológica em encostas representam uma ameaça contínua, mesmo com volumes menores de precipitação. As comunidades são orientadas a permanecer vigilantes, seguir as recomendações da Defesa Civil e, em caso de emergência, procurar os canais de atendimento e os abrigos designados. A recuperação da Baixada Santista será um processo contínuo, demandando resiliência e cooperação de todos os envolvidos.
Perguntas frequentes
Q1: Quantas pessoas foram desalojadas em Peruíbe devido às chuvas?
Mais de 480 pessoas tiveram que deixar suas casas em Peruíbe. Dessas, 381 estão em abrigos municipais e cerca de 100 foram acolhidas por familiares em outras residências, buscando segurança e auxílio.
Q2: Por que algumas pessoas se recusam a deixar suas casas nas áreas alagadas?
Parte dos moradores se recusa a sair de seus imóveis devido ao medo de saques e furtos durante o período de abandono forçado. As equipes de resgate estão entregando doações para essas famílias que optam por permanecer em suas casas.
Q3: Quais outras cidades da Baixada Santista foram severamente afetadas pelas chuvas?
Além de Peruíbe, Mongaguá registrou 48 desabrigados e Itanhaém teve pessoas e pets desalojados. Santos e São Vicente também foram atingidas por fortes chuvas, com alagamentos em vias e quedas de árvores, mantendo suas áreas em estado de atenção.
Para se manter informado sobre a evolução da situação e as necessidades das comunidades afetadas, acompanhe os comunicados oficiais da Defesa Civil e das prefeituras locais.
Fonte: https://g1.globo.com



