O Ministério da Saúde está encaminhando um pedido à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS para que o Sistema Único de Saúde (SUS) possa oferecer uma nova forma de profilaxia pré-exposição (PreP) contra o HIV. Trata-se do medicamento carbotegravir, que impede a replicação do vírus de forma prolongada e pode ser administrado por injeção a cada dois meses.
A inclusão do carbotegravir no SUS ainda está sujeita à avaliação da Conitec, que analisará aspectos como o custo-benefício da oferta desse novo tratamento pelos serviços públicos. A decisão final sobre a recomendação de inclusão caberá ao Ministério da Saúde, que está em negociação com a farmacêutica GSK para definir os detalhes, incluindo o custo final e a quantidade de doses a serem adquiridas.
Negociações e perspectivas
Durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância de garantir que novas tecnologias de proteção prolongada estejam disponíveis a preços justos para os sistemas de saúde nacionais. Ele ressaltou que a escolha pelo carbotegravir foi influenciada pelo custo acessível, em comparação com outro medicamento de proteção prolongada, o lenacapavir, que teve um valor inviável para o Brasil.
Embora o lenacapavir seja considerado essencial para o combate à epidemia de Aids, o Brasil ficou fora de um acordo de licenciamento voluntário que permitiria a produção genérica do medicamento. A decisão foi criticada por organizações como o Unaids, que defendem o acesso amplo ao lenacapavir em todo o mundo.
A Gilead, empresa responsável pelo lenacapavir, declarou que está buscando maneiras sustentáveis de acesso ao medicamento no Brasil, incluindo potenciais parcerias com a Fundação Oswaldo Cruz para transferência de tecnologia.
PreP injetável e oral
Atualmente, o SUS oferece a PreP oral, que requer o uso diário de comprimidos. A novidade da PreP injetável reside na adesão ao tratamento, já que as injeções são administradas em intervalos maiores. Estudos indicam que a preferência pela injeção é alta entre os usuários, com uma taxa de adesão ao tratamento de 94% para as injeções.
Além disso, a eficácia da PreP injetável foi comprovada em pesquisas, mostrando uma taxa anual de infecção pelo HIV de apenas 0,1%. Isso evidencia a importância de novas opções de prevenção para a população em risco.



