A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) iniciou a distribuição da nova vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, para os 92 municípios fluminenses. A ação representa um marco importante na estratégia de enfrentamento da doença no estado, que recebeu um total de 33.364 doses, sendo 12.500 destinadas à capital. Conforme determinação do Ministério da Saúde, a fase inicial da imunização prioriza os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo não apenas médicos e enfermeiros, mas também equipes administrativas e de apoio que atuam diretamente nas unidades. Esta medida visa proteger quem está na linha de frente do atendimento à população e fortalecer a capacidade de resposta do sistema de saúde.
Imunização estratégica para o combate à doença
A chegada da vacina do Butantan ao estado do Rio de Janeiro marca um avanço significativo nas políticas públicas de saúde, com uma abordagem escalonada e gradativa. A distribuição inicial, que contemplou todos os 92 municípios fluminenses, foi cuidadosamente planejada para otimizar o uso das doses disponíveis. O montante de imunizantes recebido demonstra o compromisso em expandir o acesso à proteção contra a dengue, uma doença endêmica com impactos substanciais na saúde pública. A capital fluminense, por sua densidade populacional e fluxo constante de pessoas, recebeu a maior parcela das doses nesta primeira remessa.
Prioridade aos profissionais de saúde e especificações da vacina
A decisão de iniciar a campanha de vacinação com os profissionais da Atenção Primária à Saúde do SUS reflete uma estratégia crucial para a segurança e a resiliência do sistema de saúde. Médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, odontólogos, integrantes de equipes multiprofissionais – como nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais e farmacêuticos – além dos agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE), estão entre os primeiros a serem contemplados. A proteção desses profissionais é essencial para garantir a continuidade dos serviços de saúde e a capacidade de resposta diante de possíveis surtos.
Keli Magno, gerente de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde, detalhou que a vacina contra a dengue do Instituto Butantan possui licenciamento para uso em indivíduos de 12 a 59 anos. Contudo, em uma estratégia complementar à já existente vacina do laboratório Takeda (Qdenga), que é preconizada para a faixa etária de 10 a 14 anos, a orientação é que o imunizante do Butantan seja prioritariamente administrado em pessoas com idade entre 15 e 59 anos. Essa abordagem visa cobrir lacunas e garantir que diferentes grupos etários recebam a proteção adequada, avançando progressivamente para outros públicos conforme a disponibilidade de doses. A vacina do Butantan é de dose única e oferece proteção contra os quatro sorotipos conhecidos da doença, uma característica fundamental para uma defesa abrangente.
Panorama epidemiológico e a importância da prevenção contínua
A situação epidemiológica do Rio de Janeiro, embora com indicadores de dengue em níveis baixos até o momento da distribuição da vacina, permanece sob vigilância constante. Os sorotipos 1 e 2 têm sido os mais frequentes no estado. No entanto, a SES-RJ expressa preocupação com a possível reintrodução do sorotipo 3 da dengue, que não circula no território fluminense desde 2007. A ausência de circulação por um longo período pode resultar em uma população com baixa imunidade a essa variante, aumentando o risco de casos mais graves e surtos significativos, especialmente considerando que esse sorotipo já está presente em estados vizinhos.
Vigilância contra novos sorotipos e combate ao Aedes aegypti
A Secretaria de Estado de Saúde reforça a importância das ações preventivas, principalmente após períodos de grande movimentação populacional, como o Carnaval, e as condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito. As chuvas intensas combinadas com o calor excessivo do verão criam o ambiente ideal para a reprodução do Aedes aegypti, vetor não só da dengue, mas também da chikungunya e da zika. A intensa circulação de turistas vindos de regiões com maior incidência dessas doenças também eleva o alerta para a vigilância epidemiológica.
Dados recentes do Centro de Inteligência em Saúde da SES-RJ indicam que, até o período analisado, o estado registrou 1.198 casos prováveis e 56 internações por dengue, sem óbitos confirmados. Para chikungunya, foram 41 casos prováveis e 5 internações. Não há registros de casos confirmados de zika no território fluminense. O monitoramento contínuo das arboviroses é realizado através de um indicador composto que analisa atendimentos em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), solicitações de leitos e taxa de positividade, com os dados disponíveis em tempo real no portal MonitoraRJ. Todos os 92 municípios do estado encontram-se atualmente em situação de rotina.
Diante da alta capacidade de reprodução do Aedes aegypti, a recomendação primordial permanece a dedicação de dez minutos semanais para a eliminação de focos do mosquito em residências e ambientes de trabalho. A verificação da vedação de caixas d’água, a limpeza de calhas, a colocação de areia em pratos de plantas e o descarte adequado da água de bandejas de geladeira são ações simples, mas de impacto significativo. O ciclo de reprodução do mosquito é intensificado no verão, quando a alternância entre chuvas e calor cria as condições perfeitas para a eclosão dos ovos depositados em acúmulos de água.
Fortalecimento da rede de saúde e ações complementares
Além da distribuição da nova vacina, o Ministério da Saúde tem impulsionado a imunização com a vacina Qdenga (fabricação japonesa), que teve mais de 758 mil doses aplicadas em todo o estado em 2023. Mais de 360 mil crianças e adolescentes do público-alvo de 10 a 14 anos receberam a primeira dose, e 244 mil completaram o esquema vacinal.
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro também tem investido em capacitação, utilizando videoaulas e treinamentos para qualificar a rede de saúde. O estado foi pioneiro na criação de uma ferramenta digital que padroniza o manejo de casos de dengue nas unidades de saúde, disponibilizada também para outras unidades da federação. O Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi equipado para realizar até 40 mil exames por mês, garantindo a detecção ágil de dengue, zika, chikungunya e, mais recentemente, da febre do Oropouche. Esta última é uma arbovirose que não é transmitida pelo Aedes aegypti, mas sim pelo Ceratopogonidae, popularmente conhecido como Maruim, destacando a abrangência da vigilância laboratorial do estado.
Perguntas frequentes sobre a vacinação contra a dengue
Quem são os primeiros a receber a vacina contra a dengue no Rio de Janeiro?
Os primeiros a receber a vacina do Butantan são os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares, odontólogos, equipes multiprofissionais, agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.
Qual é a faixa etária recomendada para a vacina do Butantan e da Takeda (Qdenga)?
A vacina do Instituto Butantan é licenciada para uso em pessoas de 12 a 59 anos, mas recomenda-se sua administração em indivíduos de 15 a 59 anos, complementando a vacina da Takeda (Qdenga), que é preconizada para a população de 10 a 14 anos de idade.
A vacina contra a dengue do Butantan oferece proteção contra todos os sorotipos?
Sim, a vacina do Instituto Butantan, aplicada em dose única, oferece proteção contra os quatro sorotipos conhecidos da dengue, fortalecendo a imunidade contra a doença.
Perspectivas e próximos passos no controle da dengue
A introdução da vacina contra a dengue do Instituto Butantan no Rio de Janeiro representa um passo fundamental na estratégia de saúde pública para conter a doença. A priorização de profissionais de saúde na fase inicial não só protege quem atende a população, mas também solidifica a capacidade de resposta do estado diante de cenários epidemiológicos complexos. Complementando a vacina Qdenga e as robustas ações de vigilância, capacitação e diagnóstico, o Rio de Janeiro busca estabelecer uma frente abrangente contra as arboviroses. A preocupação com o sorotipo 3 e a vigilância contínua do Aedes aegypti sublinham a necessidade de engajamento comunitário e a manutenção das práticas de prevenção. A expansão da vacinação para outros grupos, conforme a disponibilidade de doses, será crucial para consolidar a proteção da população fluminense e avançar no controle da dengue e outras doenças transmitidas por vetores.
Mantenha-se informado sobre as campanhas de vacinação e as diretrizes de prevenção em seu município, e dedique dez minutos semanais para eliminar focos do mosquito Aedes aegypti em sua casa. A sua colaboração é fundamental para a saúde de todos.



