Na pré-estreia do documentário “A Queda do Céu”, de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha, Davi Kopenawa, autor do livro homônimo que inspirou o filme, discursou sobre a Terra Indígena, a cosmologia e a luta do povo Yanomami. O evento ocorreu em Belém.
“Enquanto estivermos aqui o céu não cairá”, alertou o xamã e líder político yanomami.
A exibição pública nacional do filme aconteceu durante a 10ª Mostra de Cinema da Amazônia, como parte da programação paralela à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
O documentário retrata a cultura yanomami através do ritual de luto Reahu, após a morte do sogro de Kopenawa, um xamã considerado guardião dos conhecimentos sobre a cosmologia e o xamanismo yanomami.
Kopenawa recorda que a atuação dos Yanomami na preservação da floresta e na contribuição para o equilíbrio do planeta remonta à década de 1970, quando a abertura da Perimetral Norte (BR-210) desencadeou invasões e ameaças ao território.
Com a morte do xamã mais velho, Davi Kopenawa assumiu a responsabilidade de proteger o conhecimento ancestral e liderar a luta pela proteção dos quase 28 mil yanomamis que habitam o território, que se estende pelos estados de Roraima, Amazonas e pela fronteira com a Venezuela.
Segundo o xamã, assim como o livro escrito em conjunto com o antropólogo francês Bruce Albert, o documentário “A Queda do Céu” tem o potencial de disseminar a sabedoria indígena sobre o funcionamento do mundo, buscando unir indígenas e não indígenas em um esforço conjunto para a preservação do planeta.
Uma parte significativa da equipe do documentário era composta por profissionais yanomami, que contribuíram na criação, fotografia, captação de som e na construção da narrativa, segundo o diretor Eryk Rocha.
Durante a pré-estreia, a artista e escritora yanomami Ehuana Yaira ecoou uma mensagem das mulheres de sua etnia, denunciando a violação de direitos.
“Nós mulheres que temos os filhos nascidos no chão da floresta, quando os garimpeiros se aproximam da nossa terra, de nós mulheres, eles estupram nossas filhas, eles destroem a floresta e aliciam nossos filhos. Por isso, nós mães yanomami ficamos muito preocupadas.”
Kopenawa ressaltou que essa união só será possível quando os não indígenas deixarem de representar uma ameaça aos Yanomami, à floresta e ao planeta, respeitando a sabedoria ancestral e a relação entre indígenas e o meio ambiente.
A pré-estreia do documentário “A Queda do Céu” marcou a abertura da 10ª Mostra de Cinema da Amazônia, com exibições de filmes nacionais, debates e painéis com foco na urgência climática.
Entre os convidados da mostra estão nomes como a ativista Txai Suruí e Neidinha Suruí, a mãe de santo Mametu Nangetu, o cineasta Takumã Kuikuro e a pajé Zeneida Lima.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



