Muito antes de Itapevi conquistar sua emancipação, a Igreja Matriz São Judas Tadeu já reunia moradores, acolhia famílias e fortalecia uma comunidade que crescia ao redor da ferrovia. Décadas depois, a Matriz e a tradicional Romaria a Pirapora do Bom Jesus continuam representando a fé, a memória e a identidade do povo itapeviense.
Relembrar a história da Igreja Matriz São Judas Tadeu é também relembrar a trajetória de Itapevi, de seus antigos moradores, das famílias pioneiras e de todos aqueles que, geração após geração, ajudaram a transformar uma pequena localidade pertencente a Cotia em uma das mais importantes cidades da região Oeste da Grande São Paulo.
A Paróquia São Judas Tadeu foi criada oficialmente em 7 de setembro de 1952, aproximadamente sete anos antes da emancipação político-administrativa de Itapevi, ocorrida em 18 de fevereiro de 1959.
Isso significa que a nossa Igreja Matriz é anterior à própria Prefeitura, à Câmara Municipal e à organização administrativa do município.
Quando Itapevi ainda dava seus primeiros passos, a Igreja São Judas Tadeu já se apresentava como um ponto de encontro das famílias, dos trabalhadores, dos comerciantes, dos moradores ligados à ferrovia e das pessoas que chegavam para construir uma nova vida nesta terra.
A Matriz como testemunha do nascimento de Itapevi
Localizada na atual Praça Padre Romeu Mecca, no coração da cidade, a Igreja Matriz acompanhou praticamente todas as transformações de Itapevi.
Ao seu redor, cresceram o comércio, as ruas, os bairros, as escolas, os serviços públicos e as novas comunidades. Casas antigas deram lugar a estabelecimentos comerciais, o movimento aumentou e a população se multiplicou.
Mesmo diante de tantas mudanças, a torre da Igreja São Judas Tadeu permaneceu como uma das imagens mais conhecidas e respeitadas da cidade.
Mais do que um templo religioso, a Matriz tornou-se um verdadeiro patrimônio afetivo da população. Foi ali que milhares de famílias celebraram batizados, primeiras comunhões, crismas, casamentos, missas de ação de graças e também as despedidas de seus entes queridos.
Em seus bancos sentaram-se os primeiros moradores, os emancipadores, os trabalhadores da antiga estação ferroviária, comerciantes, políticos, autoridades, jovens, idosos, crianças, cavaleiros e romeiros.
Cada celebração realizada dentro da Matriz ajudou a escrever uma página da história de Itapevi.
As famílias pioneiras e tradicionais da cidade
É impossível falar sobre o crescimento de Itapevi sem reconhecer a participação das famílias pioneiras e tradicionais que acreditaram nesta cidade quando ela ainda possuía poucos recursos e uma estrutura urbana bastante limitada.
Foram famílias de trabalhadores, ferroviários, agricultores, comerciantes, profissionais liberais, funcionários públicos e líderes comunitários que ajudaram a formar os primeiros bairros, fortalecer o comércio e desenvolver as primeiras organizações religiosas, culturais, esportivas e sociais.
Muitas dessas famílias também participaram diretamente da vida da Igreja São Judas Tadeu.
Pais levaram seus filhos para serem batizados. Crianças cresceram participando da catequese, tornando-se coroinhas, ministros, catequistas e integrantes das pastorais. Jovens se casaram diante do altar e, anos depois, retornaram com seus próprios filhos e netos.
Assim, a fé foi sendo transmitida de geração para geração.
Essas famílias não apenas moravam em Itapevi. Elas construíram Itapevi.
Seus sobrenomes, suas histórias e suas contribuições permanecem presentes na memória da cidade, nas fotografias antigas, nos documentos, nas festas religiosas e, principalmente, na tradicional Romaria de Itapevi a Pirapora do Bom Jesus.
São Judas Tadeu, padroeiro e protetor de Itapevi
São Judas Tadeu ocupa uma posição especial na identidade religiosa e histórica do município.
A importância do padroeiro está registrada até mesmo no Brasão de Armas de Itapevi, criado em 1961. Entre seus símbolos aparecem elementos relacionados a São Pedro e São Judas Tadeu, reconhecidos como protetores da cidade e de seu povo.
Todos os anos, especialmente no dia 28 de outubro, milhares de pessoas demonstram sua devoção ao santo das causas difíceis e desesperadas.
A tradicional festa de São Judas Tadeu reúne missas, novenas, procissões, bênçãos, agradecimentos e pedidos de fiéis que chegam de diferentes bairros e cidades.
Em 2025, a comunidade celebrou a 73ª Festa em Honra ao Glorioso São Judas Tadeu, demonstrando a força de uma devoção que acompanha Itapevi há mais de sete décadas.
Padre Romeu Mecca e o início de uma grande tradição
Entre os sacerdotes mais importantes da história da Igreja Matriz está Padre Romeu Mecca, religioso italiano que chegou ao Brasil em 1951 e deixou um legado de fé, dedicação e serviço à população.
Padre Romeu acompanhou os primeiros anos de desenvolvimento do município, prestando assistência espiritual às famílias, visitando enfermos, orientando jovens e participando ativamente da vida social da cidade recém-emancipada.
Seu nome ficou para sempre ligado à Igreja São Judas Tadeu e também ao nascimento da tradicional Romaria de Itapevi a Pirapora do Bom Jesus.
Como reconhecimento por seu trabalho e sua dedicação, a praça onde está localizada a Matriz recebeu o nome de Praça Padre Romeu Mecca.
A Romaria de Itapevi a Pirapora do Bom Jesus
A história da Igreja Matriz São Judas Tadeu está profundamente ligada à história da Romaria de Itapevi a Pirapora do Bom Jesus.
A primeira romaria aconteceu em 16 de maio de 1964, após uma promessa feita por Ermes Gonçalves pela recuperação de um familiar.
Naquela primeira viagem de fé, apenas 28 participantes seguiram em direção a Pirapora do Bom Jesus. Antes da partida, os romeiros se reuniram em frente à Igreja São Judas Tadeu e receberam a bênção de Padre Romeu Mecca.
Aquele pequeno grupo deu início a uma das mais antigas e importantes manifestações religiosas e culturais de Itapevi.
Com o passar dos anos, a romaria cresceu. Os primeiros participantes levaram seus filhos, que depois levaram seus netos. Famílias inteiras passaram a preparar cavalos, veículos, alimentos, roupas, bandeiras e imagens religiosas para participar da peregrinação.
A Romaria tornou-se um reencontro entre amigos, parentes e gerações.
Mas, acima de tudo, tornou-se um grande ato de fé.
São pessoas que seguem até Pirapora para agradecer graças alcançadas, cumprir promessas, pedir proteção para suas famílias e renovar sua confiança em Deus.
A bênção na saída da Matriz
Desde o início, a Igreja São Judas Tadeu representa o ponto de concentração, oração e envio dos romeiros.
A saída em frente à Matriz, acompanhada pela bênção do padre, não é apenas uma formalidade. É um momento sagrado e esperado por cavaleiros, motoristas, acompanhantes e familiares.
Para muitos romeiros, a viagem somente começa verdadeiramente depois da oração e da bênção diante da igreja.
É ali que se pede proteção para a estrada, saúde para os animais, responsabilidade aos condutores, união entre os participantes e uma viagem segura para todos.
Essa tradição precisa ser respeitada, valorizada e preservada, pois ela pertence à história religiosa e cultural de Itapevi.
A Romaria não representa uma pessoa, um grupo político ou uma única família. Ela pertence a todos aqueles que, ao longo das décadas, participaram, trabalharam, colaboraram e mantiveram viva essa manifestação de fé.
Sacerdotes que marcaram gerações
Além de Padre Romeu Mecca, outros sacerdotes tiveram participação importante na história da Igreja Matriz.
Padre Gilmar Raimundo de Santana chegou à paróquia ainda como diácono, em 1985, foi ordenado sacerdote em 1986 e permaneceu servindo a comunidade até fevereiro de 2009.
Foram aproximadamente 24 anos de dedicação à população de Itapevi.
Durante esse período, Padre Gilmar acompanhou o crescimento dos bairros, o aumento da população e a expansão das comunidades católicas. Sua passagem é lembrada por inúmeras famílias que celebraram batizados, casamentos, primeiras comunhões e outras cerimônias religiosas.
Em 2009, Padre Fábio Rosário dos Santos assumiu a Matriz e iniciou uma fase de reorganização das atividades paroquiais, fortalecimento dos movimentos e maior aproximação com as comunidades.
Sua atuação foi reconhecida oficialmente com a concessão do Título de Cidadão Itapeviense.
Na fase atual, a paróquia é conduzida por Padre Ely Rosa, responsável pela continuidade das celebrações, novenas, atividades pastorais, festas religiosas e eventos que fazem parte da vida da cidade.
A Matriz também contou e continua contando com o trabalho de vigários, diáconos, seminaristas, ministros, catequistas e lideranças pastorais, fundamentais para o atendimento das famílias.
Uma igreja que cresceu junto com os bairros
A Paróquia São Judas Tadeu não está limitada ao prédio da região central.
Com o crescimento de Itapevi, novas comunidades e capelas foram criadas para atender os moradores dos bairros mais distantes.
Atualmente, fazem parte da estrutura paroquial as comunidades Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Julieta; Nossa Senhora de Fátima, no Jardim Rosemary; Santa Teresinha do Menino Jesus, no Jardim Bela Vista; Santo Antônio de Pádua, no Jardim Itapevi; São Benedito, no Jardim Rosemary; e São Carlos Borromeu, também no Jardim Rosemary.
Essa expansão demonstra que a Igreja acompanhou o desenvolvimento urbano e populacional da cidade, procurando permanecer próxima das famílias.
Fé, cultura e identidade itapeviense
A Igreja Matriz também é palco de grandes manifestações religiosas, como Corpus Christi, Semana Santa, Domingo de Ramos, Sexta-feira da Paixão, Páscoa, Natal e as festas em honra ao padroeiro.
Durante Corpus Christi, moradores, jovens, crianças, catequistas e integrantes das pastorais trabalham durante horas na confecção dos tradicionais tapetes religiosos pelas ruas do Centro.
Essas celebrações reúnem fé, arte, trabalho comunitário e participação popular.
A Matriz também está presente nos momentos oficiais do município. Missas de aniversário da cidade, ações de graças, celebrações com autoridades e cerimônias relacionadas à vida pública de Itapevi são tradicionalmente realizadas no templo.
Isso demonstra que a Igreja São Judas Tadeu não está apenas ligada à história religiosa, mas também à história social, cultural e institucional da cidade.
Preservar a memória é respeitar quem veio antes
Itapevi precisa preservar a história de sua Igreja Matriz, de sua Romaria e das famílias que ajudaram a construir o município.
Essa preservação deve envolver fotografias, documentos, depoimentos, livros paroquiais, registros de batismos e casamentos, histórias dos antigos romeiros e relatos dos moradores mais velhos.
Muitas informações ainda permanecem guardadas no chamado Livro do Tombo da Paróquia e nos arquivos da Diocese de Osasco e da Arquidiocese de São Paulo.
Conhecer esses documentos é fundamental para que as futuras gerações saibam quem foram os sacerdotes, romeiros, líderes religiosos, famílias e voluntários que ajudaram a manter viva a fé em São Judas Tadeu.
Nenhuma cidade pode pensar no futuro esquecendo-se daqueles que construíram o seu passado.
Um patrimônio de todos os itapevienses
A Igreja Matriz São Judas Tadeu pertence à memória afetiva de Itapevi.
A Romaria a Pirapora do Bom Jesus pertence à história cultural e religiosa do município.
E as famílias pioneiras pertencem às raízes de uma cidade construída com trabalho, coragem, união e fé.
Mais de sete décadas depois da criação da paróquia e mais de seis décadas depois da primeira romaria, essas tradições continuam vivas porque foram preservadas por pessoas que compreenderam a importância de respeitar seus antepassados.
A Igreja viu Itapevi deixar de ser um distrito de Cotia, conquistar sua emancipação, receber novas indústrias, escolas, avenidas, conjuntos habitacionais e milhares de moradores.
Durante todas essas transformações, a torre da Matriz permaneceu apontando para o céu, lembrando que a cidade não foi construída apenas com concreto, ruas e prédios.
Itapevi também foi construída com orações, promessas, lágrimas, agradecimentos, bênçãos e a fé de seu povo.
Valorizar a Igreja São Judas Tadeu, respeitar a Romaria e homenagear as famílias pioneiras é preservar a própria identidade de Itapevi.
Uma cidade que respeita suas raízes mantém viva a memória daqueles que vieram antes e deixaram um caminho para as novas gerações seguirem.
Itapevi Notícias — preservando a história, valorizando a fé e respeitando as tradições de nossa cidade.




