Ameaças, agressões e descumprimentos de medidas protetivas frequentemente precedem casos de feminicídio. No entanto, a fragmentação dos serviços de atendimento a vítimas de violência é apontada como um obstáculo que resulta na perda de oportunidades de intervenção e, consequentemente, em mortes evitáveis. Especialistas alertam que a falta de integração entre as instituições responsáveis pela proteção das mulheres deixa o Estado com uma visão fragmentada da violência, em vez de uma compreensão completa do problema.

Integração de serviços como solução

Para a promotora Silvia Chakian, do Ministério Público de São Paulo, é crucial que as diferentes entidades envolvidas no combate à violência e no apoio às vítimas atuem de forma integrada, assim como ocorre no enfrentamento ao crime organizado. A ausência de compartilhamento de dados estratégicos e a falta de diálogo entre as instituições estão resultando em falhas que custam vidas de mulheres inocentes.

Omissão estatal e urgência na mudança

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que a maioria dos municípios brasileiros não conta com serviços especializados de atendimento à mulher, o que contribui para a tragédia. A promotora Silvia Chakian destaca a negligência do Estado e a omissão no investimento adequado para lidar com a violência de gênero. Urge a necessidade de criar mecanismos que facilitem o acesso das vítimas a ajuda e proteção, como o registro eletrônico de ocorrências e a solicitação de medidas protetivas pelo celular.

A delegada Cristine Costa ressalta a importância de acolher as vítimas desde o primeiro sinal de violência, sem qualquer tipo de julgamento. Ela aponta a qualificação dos policiais como essencial para lidar com casos de violência doméstica de forma sensível e eficaz.

Misoginia como fator alarmante

O discurso de ódio e misoginia tem alimentado a brutalidade dos atos de violência contra as mulheres, incluindo casos extremos de agressão. A promotora Silvia Chakian destaca a necessidade de combater ativamente esse caldo cultural que promove a desvalorização e violência contra as mulheres, especialmente entre os jovens. A desigualdade de gênero ainda presente na sociedade brasileira é apontada como um dos fatores que contribuem para a perpetuação da violência contra as mulheres.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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