O autônomo Eduardo Luvizetto dos Santos, morador de Campinas (SP), teve sua bolsa de estudos do ProUni suspensa após a faculdade identificar movimentações financeiras da mãe em plataformas de apostas. Foram identificados R$ 19 mil em apostas nos extratos bancários, levando a universidade a considerar esse valor como parte da renda familiar.

Eduardo buscava ingressar no curso de psicologia na Universidade Paulista (Unip), porém, ao entregar os extratos bancários da mãe para comprovação de renda familiar, acabou perdendo a bolsa de estudos devido às movimentações financeiras em apostas.

As universidades consideram as movimentações em plataformas de apostas como parte da renda familiar, o que pode levar a uma ultrapassagem do limite exigido pelo programa federal. Eduardo lamentou a situação, afirmando ter perdido a bolsa sem nunca ter se envolvido em apostas pessoalmente.

Impacto na família

A auxiliar administrativa Letícia Cristina da Silva também teve sua renovação de bolsa de estudos negada pela PUC-Campinas devido ao vício em apostas. A situação gerou impactos na família, levando Letícia a mudar de faculdade e impossibilitando sua irmã de tentar a bolsa do ProUni de imediato. Veja também: O que é um plano de marketing digital e como aplicá-lo.

Especialistas destacam que o vício em jogos de apostas eletrônicas afeta não apenas o indivíduo, mas também toda a família. A psiquiatra Renata Azevedo, do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, ressalta que o sofrimento causado por esse tipo de vício é significativo e pode ter impactos econômicos e emocionais.

Excesso de cautela das universidades

Especialistas em direito digital apontam que as universidades estão agindo com excesso de cautela ao considerar as movimentações em apostas como renda familiar. O advogado Carlos Alberto Campos destaca que o dinheiro proveniente de casas de apostas não deveria ser considerado como sustento, e que a crescente endividamento das famílias devido a apostas em plataformas de apostas é preocupante.

A Unip, em nota, ressaltou que segue as regras do Ministério da Educação e que os critérios de renda do ProUni são definidos pela legislação vigente. A instituição não comentou casos individuais de estudantes, mas enfatizou a importância do cumprimento dos requisitos do programa para a concessão de bolsas de estudo.

Fonte: https://g1.globo.com

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