Comandante do 20º Batalhão apresenta redução da criminalidade, defende a Operação Delegada e pede apoio aos vereadores. Iniciativa merece aplausos, mas deixa uma pergunta ao governador Tarcísio de Freitas: até quando os municípios terão que pagar para colocar mais policiais nas ruas?
ITAPEVI — A presença do tenente-coronel PM Eduardo Mosna Xavier, comandante do 20º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, na Tribuna Livre da Câmara Municipal de Itapevi, merece destaque, reconhecimento e, acima de tudo, uma profunda reflexão sobre a realidade da segurança pública no Estado de São Paulo.
Com uma exposição clara, objetiva e fundamentada em indicadores criminais, o oficial apresentou um balanço dos trabalhos realizados pela Polícia Militar nos cinco municípios sob seu comando: Itapevi, Jandira, Barueri, Santana de Parnaíba e Pirapora do Bom Jesus.
Mas sua participação foi muito além de uma simples prestação de contas.
O comandante compareceu ao Legislativo para defender uma iniciativa que poderá ampliar a presença policial nas ruas de Itapevi: a implantação da chamada Operação Delegada, programa que permite aos policiais militares trabalhar voluntariamente durante os dias de folga, recebendo uma gratificação paga pelo município, mediante convênio com o Governo do Estado.
A proposta tem uma finalidade importante: aumentar a proteção da população, fortalecer a integração entre a Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal e combater a criminalidade de maneira mais intensa.
Entretanto, o que deveria ser apenas uma demonstração de preocupação com a segurança dos cidadãos acabou revelando uma situação que merece nossa indignação.
É lamentável que um policial militar, depois de cumprir uma jornada exaustiva, arriscar sua vida e enfrentar criminosos, ainda precise trabalhar nos dias destinados ao descanso para complementar sua remuneração.
Essa realidade precisa ser enfrentada pelo governador Tarcísio de Freitas, que tanto fala em segurança pública e valorização das forças policiais.
Os números apresentados mostram o trabalho realizado pela Polícia Militar
Durante seu pronunciamento, o tenente-coronel Eduardo Mosna Xavier destacou que Itapevi vem registrando uma tendência de redução de indicadores criminais nos últimos cinco anos.
O comandante fez questão de reconhecer o trabalho desenvolvido pela 3ª Companhia da Polícia Militar de Itapevi, sob o comando do capitão Salvador, e a importância da integração com a Guarda Civil Municipal.
Entre os resultados apresentados para o período de janeiro a agosto de 2026, o oficial destacou:
-
Redução de 28,67% nos registros de estupro.
-
Redução de 12,93% nos furtos de veículos.
-
Redução de 20% nos casos de lesão corporal.
-
Redução de 10% nos roubos.
-
Redução de 18% nos roubos de veículos.
-
Aumento de 15% nos flagrantes realizados.
-
Aumento de 30% na recaptura de foragidos da Justiça.
Os percentuais foram apresentados pelo comandante durante sua manifestação e demonstram, segundo sua avaliação, os resultados das ações policiais na região.
É importante reconhecer esses números, pois por trás de cada ocorrência evitada, de cada prisão realizada e de cada criminoso retirado das ruas existem policiais trabalhando, muitas vezes colocando a própria vida em risco.
Também merece reconhecimento a atuação da Guarda Civil Municipal de Itapevi, que vem desenvolvendo operações integradas com a Polícia Militar.
O coronel agradeceu à secretária municipal de Segurança, doutora Priscila, pela colaboração e pelo trabalho conjunto entre as instituições.
Segundo ele, pelo menos uma vez por mês as corporações se unem durante 24 horas para realizar operações, compartilhar informações e intensificar as ações de segurança.
O comandante também destacou a necessidade de ampliar a presença do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) na região, fortalecendo o combate à criminalidade.
Reduzir os crimes é importante, mas o cidadão precisa sentir segurança
Um dos momentos mais importantes do pronunciamento ocorreu quando o comandante explicou que a diminuição dos indicadores criminais nem sempre significa uma melhoria imediata na sensação de segurança da população.
O oficial mencionou o chamado paradoxo da vitimização, fenômeno relacionado à diferença entre a criminalidade registrada e a percepção de insegurança dos cidadãos.
Mesmo quando determinados crimes violentos apresentam redução, situações como furtos, perturbação do sossego, desordem pública e outras ocorrências continuam causando medo.
O trabalhador que sai de madrugada para pegar um ônibus quer encontrar segurança no caminho.
A mãe que espera o filho retornar da escola quer ter tranquilidade.
O comerciante deseja abrir seu estabelecimento sem medo de ser assaltado.
O cidadão quer caminhar pelas ruas sem receio de ser abordado por criminosos.
E o comandante resumiu essa necessidade em uma frase que merece destaque:
“Polícia na rua e ladrão na cadeia.”
Uma declaração direta, que traduz aquilo que a população espera das autoridades responsáveis pela segurança pública.
Não basta reduzir os números nas estatísticas. É preciso garantir que a população perceba a presença do Estado, tenha confiança nas instituições e possa exercer seu direito de ir e vir com tranquilidade.
É justamente nesse ponto que entra a proposta da Operação Delegada.
Operação Delegada poderá fortalecer a segurança de Itapevi
O programa defendido pelo tenente-coronel Eduardo Mosna Xavier permitirá, caso seja aprovado e regulamentado, que policiais militares atuem voluntariamente durante suas folgas, recebendo uma gratificação custeada pela Prefeitura.
Esses profissionais poderão desenvolver atividades específicas de interesse municipal, dentro dos limites legais e do planejamento estabelecido entre as instituições.
Entre as ações previstas estão o apoio à Guarda Civil Municipal, a fiscalização de trânsito, a realização de bloqueios, a prevenção de delitos, o combate à perturbação do sossego e o reforço da presença policial em regiões consideradas vulneráveis.
O comandante destacou especialmente a necessidade de combater os chamados pancadões e bailes irregulares, inclusive em áreas próximas à divisa entre Itapevi e Jandira.
A Operação Delegada também poderá contribuir para ações conjuntas de fiscalização e ordenamento urbano.
É importante esclarecer que esse programa já existe em outros municípios paulistas, por meio de convênios entre as prefeituras e o Governo do Estado.
Portanto, não estamos falando de uma experiência desconhecida, mas de uma alternativa de cooperação que poderá trazer benefícios à população itapeviense.
O comandante informou que Itapevi está entre os municípios mais avançados nas articulações para implantação da iniciativa.
Agora, será fundamental que a proposta avance, seja apresentada oficialmente e receba a devida análise dos vereadores.
A Câmara Municipal tem o dever de discutir o projeto com responsabilidade, transparência e compromisso com a segurança da população.
E, caso sejam demonstradas sua viabilidade legal, financeira e operacional, entendemos que a iniciativa merece apoio.
Um gesto nobre do comandante, mas uma vergonha para a política de valorização policial
É neste momento que precisamos separar duas questões fundamentais.
A primeira é reconhecer a atitude do tenente-coronel Eduardo Mosna Xavier.
O comandante demonstra responsabilidade, preocupação com a população e disposição para buscar alternativas capazes de ampliar a segurança nos municípios sob seu comando.
Sua iniciativa merece nossos aplausos.
A segunda questão, entretanto, é muito mais preocupante.
Por que o policial militar precisa trabalhar durante suas folgas para conseguir uma remuneração complementar?
Por que o Governo do Estado não estabelece uma política salarial que valorize adequadamente esses profissionais?
Por que não ampliar o efetivo das companhias da Polícia Militar nos municípios com maior demanda por policiamento?
Por que as prefeituras precisam comprometer parte de seus orçamentos para ampliar a presença de policiais militares nas ruas?
Não somos contrários à Operação Delegada. Muito pelo contrário.
Entendemos que o programa poderá contribuir para melhorar a segurança de Itapevi e proporcionar uma remuneração adicional aos policiais interessados.
Mas não podemos aceitar que essa alternativa se transforme em justificativa para a falta de investimentos permanentes na valorização dos policiais e na ampliação do efetivo.
O município pode colaborar com a segurança pública, mas o Governo do Estado não pode transferir às prefeituras a responsabilidade de resolver aquilo que também é sua obrigação constitucional.
Segurança pública exige investimentos, planejamento, contratação de profissionais, treinamento, equipamentos e, principalmente, valorização humana.
O policial não é uma máquina.
É um trabalhador, um pai de família, um marido, um filho, alguém que também precisa descansar, cuidar da saúde e conviver com seus familiares.
Quem enfrenta criminosos armados e arrisca a própria vida para defender a sociedade merece receber uma remuneração digna.
Governador Tarcísio de Freitas: valorização policial precisa sair do discurso
O governador Tarcísio de Freitas precisa compreender que segurança pública não se faz apenas com discursos, inaugurações, entrega de viaturas e apresentação de estatísticas.
Essas medidas podem ser importantes, mas não substituem a valorização dos homens e mulheres que diariamente vestem a farda da Polícia Militar.
De que adianta adquirir equipamentos modernos se o profissional responsável por utilizá-los continua enfrentando dificuldades financeiras?
De que adianta anunciar investimentos milionários se determinadas regiões ainda necessitam de maior presença policial?
De que adianta prometer valorização se tantos profissionais continuam buscando jornadas extraordinárias para melhorar a renda?
O Governo do Estado tem a obrigação de apresentar resultados concretos.
E isso significa estabelecer políticas permanentes de valorização salarial, ampliar o efetivo onde houver necessidade comprovada e garantir melhores condições de trabalho.
É preciso reconhecer que a Operação Delegada possui caráter voluntário e pode representar uma oportunidade legítima de rendimento adicional.
Entretanto, o trabalho extraordinário não deveria se tornar uma necessidade financeira para o policial.
A segurança da população não pode depender permanentemente do sacrifício do descanso dos profissionais que já cumprem uma missão extremamente desgastante.
E os políticos que foram policiais militares? Onde estão as conquistas prometidas?
Outro assunto que não podemos deixar de abordar diz respeito aos representantes políticos que construíram suas carreiras na Polícia Militar e posteriormente conquistaram mandatos eletivos.
São vereadores, deputados estaduais e federais que frequentemente utilizam a experiência policial como uma de suas principais bandeiras políticas.
Muitos pedem votos aos companheiros de farda prometendo lutar por melhores salários, condições de trabalho, valorização profissional e reconhecimento da categoria.
Mas precisamos perguntar:
Onde estão os resultados concretos dessas promessas?
Quais projetos realmente contribuíram para melhorar a remuneração dos policiais?
Quais parlamentares apresentaram propostas efetivas para ampliar o efetivo e garantir melhores condições de trabalho?
Quantos defendem a categoria durante as eleições e depois deixam de priorizar suas reivindicações?
Não basta aparecer em fotografias usando a farda ou recordar a carreira policial para conquistar a confiança dos eleitores.
Quem recebe votos prometendo defender os policiais militares tem a obrigação moral de demonstrar o que efetivamente fez pela categoria.
É hora de acabar com os discursos vazios e cobrar resultados.
Não estamos afirmando que todos os representantes oriundos da Polícia Militar deixaram de trabalhar pela corporação. Mas entendemos que cada um deve prestar contas de seus compromissos e de suas realizações.
O policial militar merece respeito, não promessas que se repetem a cada eleição.
Câmara de Itapevi tem oportunidade de contribuir com a segurança da população
A proposta apresentada pelo comandante do 20º BPM/M merece atenção especial dos vereadores de Itapevi.
Caso seja encaminhada ao Legislativo, esperamos que o projeto seja analisado com seriedade, responsabilidade e transparência.
É importante conhecer os valores previstos para o programa, o número de policiais que poderão participar, a carga horária, os critérios de fiscalização e as regiões que serão beneficiadas.
A população precisa saber quanto será investido e quais resultados poderão ser alcançados.
Ao mesmo tempo, é necessário garantir que a implantação da Operação Delegada não prejudique os investimentos na Guarda Civil Municipal, instituição que também merece valorização, estrutura e reconhecimento.
Polícia Militar e Guarda Civil Municipal precisam continuar trabalhando em conjunto, respeitando suas atribuições e fortalecendo a proteção da sociedade.
O objetivo deve ser um só: proporcionar mais segurança aos moradores de Itapevi.
Nosso reconhecimento ao coronel, ao capitão Salvador e às forças de segurança
O Jornal Itapevi Notícias, que acompanha há décadas o trabalho das forças de segurança da região, reconhece a importância da manifestação do tenente-coronel Eduardo Mosna Xavier na Câmara Municipal.
Sua presença na Tribuna Livre demonstrou respeito ao Poder Legislativo e preocupação em apresentar à população os resultados das ações policiais.
Também merece destaque o trabalho do capitão Salvador, responsável pela 3ª Companhia da Polícia Militar de Itapevi, que vem atuando no município há aproximadamente cinco anos.
Nosso reconhecimento se estende aos oficiais, praças, guardas civis municipais e demais profissionais envolvidos nas operações conjuntas.
São esses homens e mulheres que enfrentam diariamente os desafios da segurança pública.
Entretanto, reconhecer o esforço dos policiais também significa defender seus direitos, suas condições de trabalho e sua valorização profissional.
NOSSA POSIÇÃO: APOIAMOS MAIS SEGURANÇA PARA ITAPEVI, MAS EXIGIMOS VALORIZAÇÃO DOS POLICIAIS!
Como jornalista e ex-Policial Militar, conheço a responsabilidade e os riscos enfrentados pelos policiais militares.
Sei o que significa vestir uma farda, cumprir ordens, enfrentar situações perigosas e deixar a família em casa sem a certeza de como será o retorno.
Por isso, não poderia deixar de reconhecer a iniciativa do tenente-coronel Eduardo Mosna Xavier.
Mas também não posso me calar diante de uma realidade que considero injusta.
Não é correto que um policial militar precise abrir mão de seus dias de descanso para complementar uma remuneração que deveria ser compatível com a responsabilidade e os riscos de sua profissão.
É evidente que a Operação Delegada poderá trazer benefícios aos policiais interessados e à população.
Porém, o Estado precisa assumir sua parcela de responsabilidade e investir na ampliação permanente do policiamento.
O governador Tarcísio de Freitas deve olhar com mais atenção para os municípios da região oeste da Grande São Paulo, especialmente aqueles que apresentam crescimento populacional e necessidade de reforço da segurança.
É preciso fortalecer as companhias, ampliar o efetivo, melhorar as condições de trabalho e estabelecer uma política efetiva de valorização salarial.
Aos deputados estaduais e federais que se apresentam como representantes da segurança pública, fica a cobrança: é hora de mostrar resultados.
Aos vereadores de Itapevi, fica o pedido para que analisem com prioridade e responsabilidade a proposta apresentada pelo comandante, caso seja formalmente encaminhada à Câmara.
À Prefeitura, cabe avaliar as condições financeiras e operacionais para que a parceria possa beneficiar a população sem comprometer outros serviços essenciais.
E aos policiais militares e guardas civis municipais, deixamos nosso respeito e reconhecimento.
Parabéns ao tenente-coronel Eduardo Mosna Xavier pela coragem de buscar alternativas para fortalecer a segurança pública. Parabéns ao capitão Salvador e a todos os profissionais que diariamente trabalham para proteger Itapevi.
Mas fica também nosso repúdio à insuficiente valorização salarial e à dependência de jornadas extraordinárias como complemento de renda para tantos profissionais da segurança pública.
Governador, policial militar não precisa apenas de elogios, homenagens ou promessas. Precisa de salário digno, estrutura, efetivo suficiente e respeito!
A população quer mais policiais nas ruas e os criminosos responsabilizados pela Justiça.
Mas os policiais também merecem qualidade de vida, descanso e condições de sustentar suas famílias com dignidade.
Porque uma sociedade que exige proteção precisa, antes de tudo, valorizar aqueles que arriscam a própria vida para protegê-la.
Editorial — Jornal Itapevi Notícias
Nilton Martins Ramos
Jornalista — MTB 0085605
Diretor do Jornal Itapevi Notícias




