O renomado economista e escritor Eduardo Giannetti ressalta que a desestabilização de rotas comerciais, como o Estreito de Ormuz, e a guerra tarifária promovida pelos Estados Unidos são indícios claros de que a era da hiperglobalização está em crise.
Em entrevista exclusiva à TV Brasil, que será transmitida no Repórter Brasil, Giannetti discute diversos temas que refletem um cenário internacional marcado por crises e conflitos.
O fim de uma era econômica
De acordo com o economista, a lógica da hiperglobalização, baseada em custos de produção baixos, escala e eficiência, está chegando ao fim. A busca por diversificação e segurança se tornou essencial em um mundo onde um pequeno número de fornecedores é responsável por produtos cruciais nas cadeias globais de produção.
Giannetti destaca que eventos históricos como a crise financeira de 2008 e a pandemia de Covid-19 contribuíram para a financeirização da economia global, alterando significativamente a relação entre ativos financeiros e o Produto Interno Bruto (PIB).
Impacto nas relações de trabalho
O economista ressalta que a entrada de milhares de trabalhadores asiáticos no mercado de trabalho global durante a hiperglobalização impactou negativamente a classe trabalhadora ocidental, reduzindo seu poder de negociação e levando a uma crescente urbanização nas regiões rurais da Ásia.
Esse cenário, segundo Giannetti, contribuiu para o ressentimento e a ascensão da extrema direita em vários países, refletindo a insatisfação da classe trabalhadora e da classe média com a perda de segurança e poder de barganha.
Oportunidades para o Brasil
Com o declínio da hiperglobalização, o Brasil se encontra em uma posição única para reavaliar sua estratégia econômica. Giannetti destaca os recursos naturais abundantes do país e a importância de industrializá-los para atender à crescente demanda global por alimentos, minerais e terras raras.
Além disso, o economista enfatiza a necessidade de aproveitar a biodiversidade brasileira como um diferencial competitivo, industrializando os recursos para obter melhores condições de negociação no mercado internacional.
Desafios climáticos e civilizacionais
Giannetti alerta para a crise civilizatória que a humanidade enfrenta, especialmente diante das mudanças climáticas. Ele enfatiza que a negação da realidade climática é insustentável e destaca a importância de agir de forma preventiva para mitigar os impactos catastróficos no futuro.



