Uma análise de dados realizada por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita revelou um aumento significativo na distribuição de medicamentos para esclerose múltipla pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Após a revisão das diretrizes nacionais, o fornecimento de Natalizumabe, indicado para formas agressivas da doença, cresceu 44,5% em todo o Brasil.

Além disso, houve um aumento na utilização de terapias de alta eficácia e uma redução no uso de medicamentos injetáveis menos eficazes. Concomitantemente, o número de pacientes em tratamento pelo SUS aumentou 25,9%, indicando um maior acesso ao cuidado especializado.

Impacto da Atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas

O estudo avaliou os efeitos da atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para a esclerose múltipla, implementada em 2021. Mais de 1,7 milhão de registros de distribuição de medicamentos foram analisados, revelando avanços significativos na incorporação de terapias mais eficazes.

Avanços na Prática Clínica

A esclerose múltipla é uma condição neurológica crônica e autoimune que afeta a comunicação entre o cérebro e o corpo. Embora não tenha cura, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem reduzir os sintomas e preservar a qualidade de vida dos pacientes.

A coordenadora do Instituto do Cérebro do Einstein, Lívia Almeida Dutra, enfatiza a importância de políticas públicas embasadas em evidências científicas para melhorar a prática clínica e o acesso a tratamentos eficazes.

Incorporação de Terapias de Alta Eficácia

Após a atualização do protocolo nacional, a migração de pacientes para terapias mais eficazes aumentou significativamente, enquanto as trocas entre medicamentos de eficácia similar diminuíram. Isso indica uma maior adoção de estratégias terapêuticas alinhadas com as evidências mais recentes.

A velocidade de incorporação das novas terapias variou entre os estados brasileiros, sendo mais rápida em regiões com maior concentração de especialistas e centros de tratamento da doença.

Importância da Análise de Dados na Saúde Pública

O gerente do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde do Einstein, Lucas Hernandes Correa, destaca a relevância de acompanhar grandes bases de dados para avaliar a eficácia das políticas públicas e orientar investimentos em infraestrutura e capacitação profissional.

O estudo, que contou com a colaboração da Unesp e do Registro de Doenças Neurológicas (REDONE), demonstra como a atualização do PCDT e a incorporação de novas evidências científicas estão beneficiando os pacientes com esclerose múltipla atendidos pelo SUS.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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