O continente americano enfrenta um ressurgimento preocupante do sarampo, uma doença viral altamente contagiosa. Dados recentes revelam um aumento alarmante de quase 32 vezes no número de casos entre 2024 e 2025, levando a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) a emitir um alerta urgente aos países da região. A intensificação da circulação do vírus e a perda do certificado de eliminação do sarampo nas Américas em novembro passado sublinham a gravidade da situação. A grande maioria dos casos confirmados está ligada à falta de vacinação, ressaltando a importância crítica da imunização como principal ferramenta de prevenção e controle para reverter essa tendência e proteger a saúde pública.
O ressurgimento do sarampo nas Américas
Dados alarmantes de 2025 e 2026
O panorama epidemiológico do sarampo nas Américas tem se agravado significativamente. Em 2025, o continente registrou 14.891 casos da doença, um salto drástico em comparação com os 446 registros de 2024. Este aumento representa uma escalada de quase 32 vezes, acompanhada por 29 mortes confirmadas. A tendência de crescimento não mostrou sinais de desaceleração no início de 2026. Dados parciais de janeiro de 2026 apontam para 1.031 casos, um número quase 45 vezes superior aos 23 casos notificados no mesmo período de 2025, embora sem mortes confirmadas até o momento.
A concentração de casos é notável na América do Norte. Em 2025, México, Canadá e Estados Unidos foram responsáveis por quase 95% do total de infecções na região, somando 14.106 casos (6.428 no México, 5.436 no Canadá e 2.242 nos Estados Unidos). No início de 2026, essas três nações continuaram a liderar as notificações, representando 948 registros, ou 92% do total do continente. O alerta da OPAS enfatiza que a grande maioria das pessoas afetadas não tinha histórico vacinal completo ou apresentava status de imunização desconhecido. Nos Estados Unidos, 93% dos indivíduos que contraíram a doença não estavam vacinados, seguidos por 91,2% no México e 89% no Canadá. Esse cenário levou a OPAS a considerar o aumento acentuado como um “sinal de alerta que requer uma ação imediata e coordenada por parte dos Estados Membros”, reforçando a decisão de novembro passado de retirar do continente o certificado de região livre da transmissão do sarampo.
A situação do Brasil e o risco de reintrodução
Vigilância contínua em território brasileiro
Apesar do aumento geral nas Américas, o Brasil tem conseguido manter um status mais controlado em relação ao sarampo. Em 2025, foram registradas 38 notificações da doença no país, sendo que 36 delas ocorreram em indivíduos sem histórico de vacinação. Este número representa um crescimento em relação aos quatro registros de 2024. Contudo, até o início de 2026, nenhum caso de sarampo foi reconhecido em território brasileiro, permitindo que o país ostente o status de “livre de sarampo”.
Detalhes sobre os casos de 2025 indicam que dez foram classificados como importados – infecções adquiridas no exterior –, 25 foram relacionados à importação e três tiveram a fonte de infecção desconhecida. Os estados que confirmaram casos foram Distrito Federal (um), Maranhão (um), Mato Grosso (seis), Rio de Janeiro (dois), São Paulo (dois), Rio Grande do Sul (um) e Tocantins (25). Especialistas alertam, entretanto, para a necessidade de vigilância constante. O fluxo migratório e os voos diários de países onde o sarampo está em surto, como Canadá, México e Estados Unidos, representam um “risco constante” de reintrodução do vírus no Brasil. É fundamental, portanto, manter a vigilância atenta, identificar rapidamente casos suspeitos importados e garantir altas coberturas vacinais em todo o território nacional, a fim de evitar que esses casos se traduzam em transmissão sustentada da doença.
A doença, a prevenção e as ações coordenadas
Compreendendo o sarampo e a importância da vacinação
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, causada pelo vírus do sarampo. Se não tratada ou em casos mais graves, pode evoluir para complicações severas e, inclusive, levar à morte. Os sintomas iniciais incluem febre alta, tosse, coriza, perda de apetite e conjuntivite, caracterizada por olhos vermelhos, lacrimejantes e fotofobia. Posteriormente, surgem manchas vermelhas na pele, que geralmente começam no rosto, na região atrás da orelha, e se espalham progressivamente pelo corpo. O paciente também pode sentir dor de garganta e a pele pode descamar, assemelhando-se a uma queimadura. Complicações graves do sarampo incluem cegueira, pneumonia e encefalite, uma inflamação do cérebro.
A principal e mais eficaz forma de prevenção contra o sarampo é a vacinação. No Brasil, a vacina é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e faz parte do calendário básico de vacinação infantil. A primeira dose do imunizante tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, é recomendada aos 12 meses de idade, com a segunda dose (reforço) aplicada aos 15 meses. Qualquer pessoa com até 59 anos que não tenha comprovante de imunização ou que não tenha completado o esquema vacinal deve procurar atualizar sua carteira de vacinação.
As autoridades de saúde realizam campanhas regulares para intensificar a imunização. Dados preliminares de 2025 indicam um “avanço expressivo” na cobertura da vacina tríplice viral no Brasil, com um aumento de 80,7% para 93,78% em comparação com 2022. A aplicação da dose de reforço também cresceu de 57,6% para 78,9% no mesmo período, evidenciando a retomada das coberturas vacinais no país. No entanto, especialistas destacam que a cobertura mínima necessária para evitar surtos e garantir a imunidade de rebanho é de 95%.
Diante do cenário regional, a OPAS emitiu recomendações cruciais para os países. Entre elas, estão o reforço prioritário das atividades de vigilância e vacinação de rotina, visando garantir uma resposta rápida e oportuna aos casos suspeitos; a implementação de pesquisas ativas em comunidades, instituições e laboratórios para a identificação precoce de novas infecções; e o desenvolvimento de atividades complementares de vacinação para eliminar lacunas de imunidade na população.
Em resposta a essas diretrizes e à situação de aumento de casos na região, as autoridades brasileiras têm orientado estados e municípios a reforçar a vigilância epidemiológica, a vacinação e as ações de prevenção. As medidas incluem a investigação rápida de casos suspeitos e a ampliação das coberturas vacinais. Em 2025, para proteger a população, especialmente nas regiões de fronteira, o Brasil intensificou a vacinação contra o sarampo em estados limítrofes com a Bolívia e doou mais de 640 mil doses da vacina ao país vizinho. Ações de imunização contra a doença também foram intensificadas nos municípios de fronteira com a Argentina e o Uruguai, além de cidades turísticas e de alto fluxo de pessoas, reconhecendo o risco de importação do vírus.
Perspectivas e prevenção
O ressurgimento do sarampo nas Américas é um lembrete contundente da fragilidade da saúde pública frente a doenças imunopreveníveis e da necessidade ininterrupta de manter altas coberturas vacinais. Embora o Brasil tenha conseguido sustentar seu status de país livre da doença, a crescente circulação do vírus em nações vizinhas e parceiras comerciais representa uma ameaça constante. A vigilância epidemiológica ativa, a resposta rápida a casos suspeitos e, acima de tudo, a adesão massiva à vacinação são pilares para proteger a população. A luta contra o sarampo é uma responsabilidade coletiva, onde cada vacina aplicada contribui para a segurança de todos, garantindo que o progresso alcançado não seja perdido.
Perguntas frequentes sobre o sarampo
1. O que é o sarampo e quais são seus principais sintomas?
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, caracterizada por febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas vermelhas na pele que se espalham pelo corpo. Pode levar a complicações graves como pneumonia, encefalite e cegueira.
2. Como o sarampo é prevenido?
A principal forma de prevenção é a vacinação. A vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) faz parte do calendário básico de vacinação e é oferecida gratuitamente pelo SUS no Brasil, com doses recomendadas aos 12 e 15 meses de idade, e atualização para pessoas até 59 anos que não completaram o esquema vacinal.
3. Qual a situação atual do sarampo nas Américas?
As Américas enfrentam um aumento alarmante de casos de sarampo. Em 2025, houve um crescimento de quase 32 vezes em relação a 2024, com a maioria dos casos concentrada na América do Norte e associada à falta de vacinação. A OPAS emitiu um alerta devido a essa escalada.
4. O Brasil ainda é considerado livre de sarampo?
Sim, apesar do aumento de casos em 2025, o Brasil mantém o status de país livre de sarampo. No entanto, a circulação do vírus em países vizinhos e o fluxo de pessoas representam um risco constante de importação, exigindo vigilância e altas coberturas vacinais contínuas.
Mantenha sua carteira de vacinação atualizada e a de sua família para proteger a todos contra o sarampo e outras doenças imunopreveníveis. Consulte um posto de saúde para mais informações.



