Uma megaoperação contra corrupção na administração tributária paulista resultou na prisão do advogado João André Buttini de Moraes. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o advogado multiplicou por dez o seu patrimônio declarado entre os anos de 2017 e 2024, atingindo a impressionante marca de R$ 314,2 milhões em sete anos.
De acordo com as investigações, mais de 99% da renda declarada por Buttini era proveniente de dividendos isentos de impostos distribuídos por empresas ligadas a ele. O MP-SP aponta o advogado como líder de um esquema criminoso que cobrava propina para interferir na análise e liberação de créditos tributários na Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo.
Movimentação milionária e aquisições suspeitas
As contas pessoais de Buttini apresentaram uma movimentação bruta de R$ 2,12 bilhões entre janeiro de 2018 e novembro de 2025, segundo a quebra de sigilo bancário. A investigação identificou ainda aquisições imobiliárias de alto valor, como a Mansão Tucumã de R$ 33 milhões e um conjunto de imóveis em Itupeva avaliado em R$ 40 milhões, sem encontrar os registros bancários correspondentes aos pagamentos.
Além disso, grandes empresas teriam pago R$ 140,65 milhões ao escritório e às empresas ligadas a Buttini entre 2018 e 2025, referentes a serviços jurídicos e de consultoria tributária. O MP-SP suspeita que parte desses valores tenha sido utilizada para pagar propina a agentes públicos, embora não haja evidências de que as empresas tinham conhecimento dessas transações ilícitas. Veja também: Entenda o que é e como funciona o plano de manutenção veicular.
Possíveis crimes e colaborações premiadas
Segundo informações, Buttini teria repassado R$ 13,6 milhões em propina a Paulo Prado, que posteriormente destinou parte desse valor a André Weiss, ex-diretor da Administração Tributária. As entregas teriam ocorrido em dinheiro vivo, principalmente em restaurantes de Pinheiros. Weiss também foi preso preventivamente na mesma operação.
A Justiça autorizou as prisões com base em diversos elementos de prova, como documentos, dados bancários, mensagens e gravações ambientais. O MP-SP investiga possíveis crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, ressaltando que os envolvidos ainda não foram julgados.
Diante desses fatos, a Secretaria da Fazenda e Planejamento afirmou que desde a deflagração da Operação Ícaro, em agosto de 2025, tem atuado em conjunto com o Ministério Público para esclarecer os acontecimentos.
Fonte: https://g1.globo.com



