Decoro não é opção: a Câmara de Itapevi precisa dar uma resposta à sociedade

Há momentos em que o silêncio institucional deixa de ser prudência e passa a ser omissão.

O caso envolvendo o vereador Ivonildo Andrade da Hora, o Chambinho, não está mais restrito à esfera criminal. Isso precisa ficar absolutamente claro.

O que está em debate agora não é o crime, não é o acordo firmado com a Justiça, e tampouco cabe a este momento qualquer julgamento penal.

O que está em discussão é outra coisa — e talvez ainda mais grave:
O decoro parlamentar.

O ponto central: responsabilidade política permanece

Os próprios documentos oficiais demonstram que houve um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), medida legal que suspende o processo mediante prestação de serviços à comunidade.

Mas a lei é clara, e especialistas são unânimes:
Acordo criminal não é absolvição.

E mais importante:
Não protege o agente público de responder politicamente por sua conduta.

Isso significa, de forma objetiva:
👉 A esfera penal é uma coisa
👉 A esfera política é outra completamente diferente

E é exatamente aqui que entra a responsabilidade da Câmara Municipal de Itapevi.

O direito de resposta e a manifestação do vereador

Em respeito ao contraditório e à responsabilidade jornalística, este jornalista entrou em contato com o vereador Ivonildo Andrade da Hora (Chambinho) para que apresentasse suas explicações.

O parlamentar informou que está preparando uma declaração oficial, que será divulgada em suas redes sociais e também encaminhada ao Itapevi Notícias assim que estiver concluída.

A Câmara Municipal de Itapevi já recebeu todas as denúncias relacionadas ao caso e que a Casa deverá adotar as providências cabíveis, de acordo com a lei.

Decoro parlamentar: o limite da função pública

O mandato eletivo não é apenas um cargo. É um compromisso com valores.

O decoro parlamentar exige conduta compatível com a dignidade da função, dentro e fora da Câmara. Não se trata apenas de legalidade — trata-se de moralidade pública.

E a própria legislação que rege o funcionamento das Casas Legislativas é clara ao permitir a apuração de condutas incompatíveis com o cargo, independentemente de condenação judicial ou ANPP.

Ou seja:
Não é necessário haver sentença penal para que haja quebra de decoro.

O silêncio da Câmara preocupa

Até o momento, não há transparência pública sobre qualquer procedimento interno de apuração.

E isso levanta questionamentos legítimos da população:
· A Câmara já instaurou investigação?
· A Comissão de Ética foi acionada?
· Haverá apuração formal dos fatos?

Se não houver resposta, a sociedade naturalmente interpretará o silêncio como omissão.

E omissão, neste contexto, não é neutra.

Um ponto que não pode ser ignorado

A Câmara Municipal de Itapevi conta hoje com quatro vereadoras mulheres.

Diante de um caso que envolve um tema sensível como a importunação sexual, espera-se, no mínimo, sensibilidade, responsabilidade e posicionamento.

Não se trata de antecipar julgamentos.
Trata-se de garantir que os fatos sejam apurados com seriedade, respeito e transparência.

Não estamos julgando — estamos exigindo apuração

Este editorial deixa claro:

Não estamos questionando o crime, nem o acordo judicial.
Estamos questionando exclusivamente:

👉 A conduta sob a ótica do decoro parlamentar
👉 A responsabilidade institucional da Câmara
👉 O direito da população de ter respostas

Apurar não é condenar.
Apurar é garantir justiça.

E justiça só existe quando todos os lados são ouvidos e os fatos são analisados com transparência.

O dever da Câmara é agir

A Câmara Municipal tem instrumentos legais para isso:
· Comissão de Ética
· Comissão Processante
· Apuração por quebra de decoro

Não agir diante de fatos dessa gravidade é abrir um precedente perigoso.

É dizer, na prática, que determinadas condutas podem ser ignoradas quando envolvem agentes políticos.

A sociedade está observando

O Itapevi Notícias deixa registrado:

Este caso será acompanhado em sua totalidade.
Cada esfera. Cada decisão. Cada manifestação — ou ausência dela.

A população tem o direito de saber:
· Se haverá apuração
· Como será conduzida
· E qual será o desfecho

A pergunta que fica

Diante de tudo que já veio à tona, a questão agora não é mais sobre o passado.

É sobre o presente.

A Câmara Municipal de Itapevi vai cumprir seu papel ou vai se calar?

Nilton Ramos
Itapevi Notícias

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