Na Paróquia Bom Jesus da Penha, localizada na zona norte do Rio de Janeiro, a comunidade se reuniu em oração no Dia de Finados, buscando conforto e esperança em meio ao luto. As preces foram dedicadas aos entes queridos e, em especial, às famílias das vítimas da recente Operação Contenção, que deixou um rastro de dor e insegurança nas favelas vizinhas.

A Operação Contenção, realizada na última terça-feira, resultou em 121 mortes, sendo considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro. O impacto da ação policial reverberou na comunidade da Penha, onde o medo e a apreensão se tornaram palpáveis.

O Padre Marcos Vinícius Aleixo, responsável pela celebração da missa, destacou a importância do acolhimento e da intercessão em um momento de tanta dor. Segundo ele, a frequência nas missas diminuiu significativamente, reflexo do temor que assola o bairro. “A insegurança reina no bairro por conta disso. Muitas pessoas ficam com medo de sair de casa, com medo de vir até a missa”, relatou o padre.

O pároco ressaltou ainda os traumas causados pelos constantes confrontos e operações policiais. “O tiro, o barulho, isso tudo traz traumas, traz crise de ansiedade, traz medo às pessoas que lá dentro moram, que são pessoas de bem e que estão ali lutando para viver”.

A igreja, situada a apenas um quilômetro da Praça São Lucas, local onde foram reunidos os corpos removidos da área de mata entre os complexos do Alemão e da Penha após a operação, tornou-se um refúgio para aqueles que buscam alívio e esperança.

A operação policial tinha como alvo o Comando Vermelho, facção criminosa que controla a região. Foram cumpridos 20 mandados de prisão e 180 de busca e apreensão, além de 93 prisões em flagrante.

Uma moradora local, que preferiu não se identificar, expressou o sentimento de encurralamento vivenciado pela população. Ela relatou as dificuldades enfrentadas no dia a dia, como a restrição de acesso a determinadas áreas e a cobrança indevida de pedágios pelo crime organizado. “É tranquilidade que eu cobro. A minha cobrança é essa. Porque a gente não tem mais paz, não tem sossego”, desabafou.

A Operação Contenção gerou críticas de organizações nacionais e internacionais, incluindo o Conselho de Direitos Humanos da ONU, que solicitou uma investigação independente sobre o caso. Familiares das vítimas relataram indícios de tortura nos corpos, enquanto o governo do estado alega que os mortos entraram em confronto com os agentes.

Apesar das controvérsias, alguns moradores veem a operação como uma demonstração de que algo está sendo feito em relação à segurança pública. No entanto, outros expressam descrença quanto a mudanças efetivas. Uma moradora que vivenciou a operação no Complexo da Penha descreveu o dia como um “horror”, ressaltando o impacto negativo na vida dos moradores, especialmente das crianças. Questionada sobre a possibilidade de melhorias, sua resposta foi categórica: “Nada”.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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