Vereador afirmou ter sido falsamente apontado como responsável por denúncias, anunciou medidas legais e pediu que servidor esclareça quem seria o deputado citado em reunião

A Câmara Municipal de Itapevi retomou, nesta terça-feira, 4 de agosto, as sessões ordinárias após o recesso parlamentar de julho. Os trabalhos começaram às 9 horas, no Plenário Bemvindo Moreira Nery, conforme divulgado oficialmente pelo Legislativo.

A sessão transcorria de maneira tranquila até o momento da Explicação Pessoal, quando o vereador Donizetti Dias Carvalho, o Zetti da Adega, utilizou a tribuna para fazer um pronunciamento contundente envolvendo a ONG, entidade fundada pela vereadora Marina Dornellas, segundo informações institucionais da própria Câmara. Zetti e Marina integram atualmente o Legislativo itapeviense.

Logo no início de sua manifestação, Zetti afirmou que gostaria de estar utilizando a tribuna para apresentar projetos, emendas e reivindicações em benefício da população. No entanto, segundo ele, precisou se pronunciar após tomar conhecimento de que seu nome teria sido envolvido em acusações que considera falsas e sem fundamento.

O parlamentar relembrou que, aproximadamente dois meses atrás, chegou à Câmara uma denúncia envolvendo a participação e a exposição de uma parlamentar em vídeos publicados nas redes sociais de uma organização não governamental.

A entidade mencionada seria a ONG Ser Amor, que realiza atividades sociais no município e utiliza um imóvel que, conforme o pronunciamento de Zetti, teria sido cedido pelo Poder Público Municipal. O vereador declarou desconhecer, até o momento, qual procedimento administrativo ou instrumento jurídico teria autorizado a ocupação do espaço.

A situação relacionada à ONG já havia sido abordada anteriormente pelo jornalista e diretor do Jornal Itapevi Notícias, Nilton Ramos.

Durante seu pronunciamento, Zetti afirmou que tomou conhecimento de que um servidor público identificado como Amaury, durante uma reunião realizada em um equipamento público e na presença de outros servidores, teria declarado que o vereador estaria por trás das denúncias.

Zetti disse ter ficado perplexo com a informação e pediu licença ao jornalista Nilton Ramos para citar seu nome na tribuna. O parlamentar também declarou que pretendia ter acesso ao material jornalístico e aos documentos relacionados ao caso.

“Caso eu tivesse elementos concretos e provas de irregularidades, não teria receio algum de fazer a denúncia pelos meios competentes e assumir integralmente a responsabilidade pelos meus atos”, afirmou o vereador, conforme o pronunciamento apresentado durante a sessão.

Zetti ainda parabenizou Nilton Ramos pela atuação jornalística e pelo trabalho de fiscalização realizado pelo Itapevi Notícias.

Para Zetti, é grave um servidor público atribuir a ele a responsabilidade por uma denúncia sem apresentar qualquer prova ou documento.

O vereador afirmou que nunca promoveu denúncias contra parlamentares sem possuir elementos concretos e ressaltou que os demais integrantes da Câmara conhecem sua postura política.

“Sempre conduzi minha atuação com objetividade, respeito e responsabilidade. Nunca fui leviano de promover denúncias contra qualquer parlamentar desta Casa sem provas”, declarou.

O parlamentar informou que adotará as medidas legais cabíveis para identificar os responsáveis pelas declarações, esclarecer os fatos e resguardar sua honra.

A parte mais grave do pronunciamento ocorreu quando Zetti relatou ter recebido informações de que, na mesma reunião, teriam sido feitos comentários envolvendo apoio eleitoral, possível obtenção de votos na região atendida pela ONG e o envio de cestas básicas por um deputado.

O vereador deixou claro que estava reproduzindo informações que chegaram ao seu conhecimento e afirmou que, caso as declarações tenham realmente ocorrido, os fatos deverão ser apurados pelos órgãos competentes.

Zetti cobrou que o responsável pela declaração seja chamado à Câmara para explicar quem seria o parlamentar mencionado.

“Nós, como parlamentares, temos que chamar esse representante e trazê-lo até esta Casa para dizer qual é o deputado que estaria mandando cestas básicas para essa ONG”, declarou.

A referência feita durante o pronunciamento não comprova, por si só, eventual irregularidade. A existência de distribuição de cestas, sua origem, seus beneficiários e qualquer possível finalidade eleitoral dependem da apresentação de documentos, testemunhos e investigação pelas autoridades competentes.

Zetti questionou o tipo de ambiente político que estaria sendo construído em Itapevi e afirmou que não se pode permitir a disseminação de boatos ou acusações sem provas.

“Que política é essa que queremos construir? Esse é o caminho que desejamos para nossa cidade? Não podemos permitir boatos e insinuações sem comprovação”, afirmou.

Ao finalizar, o vereador reforçou que nunca se escondeu e que, sempre que identificar algo que deva ser denunciado, apresentará os fatos aos órgãos competentes, com transparência e responsabilidade.

“Nunca me escondi e nunca me esconderei. Quando tiver algo para denunciar, farei pelos órgãos e meios legais, com transparência e consciência dos meus atos.”

O pronunciamento de Zetti colocou novamente em debate questões que precisam ser respondidas objetivamente:

Qual instrumento jurídico autorizou a ONG Ser Amor a utilizar o imóvel público? Quem participou da reunião mencionada pelo vereador? O servidor realmente atribuiu as denúncias a Zetti? Qual deputado teria sido citado? Houve distribuição de cestas básicas? Qual foi a origem dos produtos, os critérios de entrega e a documentação correspondente?

Essas perguntas precisam ser esclarecidas por meio de documentos oficiais, oitivas e manifestações dos envolvidos, evitando julgamentos antecipados.

O Jornal Itapevi Notícias mantém aberto o espaço para que a vereadora Marina Dornellas, a direção da ONG Ser Amor, o servidor citado, a Prefeitura de Itapevi e qualquer parlamentar mencionado apresentem suas versões, documentos e esclarecimentos. Até que haja comprovação, as referências feitas na tribuna devem ser tratadas como declarações e alegações que ainda necessitam de apuração.

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