A cidade de Santos, no litoral paulista, confirmou recentemente dois casos de mpox, doença viral antes conhecida como varíola dos macacos. Os pacientes, homens de 25 e 35 anos, apresentaram boa evolução clínica e já receberam alta, conforme informações da prefeitura. Este registro acende um alerta para a importância da vigilância e do conhecimento sobre a enfermidade, que se transmite por contato direto e secreções. Enquanto Santos reporta um número limitado de diagnósticos em comparação com anos anteriores, o estado de São Paulo segue monitorando o cenário epidemiológico, que registrou dezenas de ocorrências no início deste ano, evidenciando a necessidade de manter a população informada sobre os sintomas, formas de contágio e medidas preventivas.
A mpox em Santos e no estado de São Paulo
Panorama dos casos na Baixada Santista
A prefeitura de Santos divulgou a confirmação de dois casos de mpox em janeiro deste ano, com os diagnósticos sendo formalizados na última sexta-feira (20). Os pacientes, de 25 e 35 anos, são do sexo masculino e apresentaram um quadro clínico favorável, resultando em alta hospitalar. A administração municipal enfatizou que a transmissão da mpox se dá principalmente pelo contato direto entre pessoas, seja através da pele, secreções corporais, ou por exposição próxima e prolongada a gotículas respiratórias. Contudo, não foi informado se havia alguma relação ou vínculo epidemiológico entre os dois homens. Em retrospecto, a cidade de Santos registrou um total de apenas dois diagnósticos de mpox durante todo o ano de 2025, o que torna os registros atuais um ponto de atenção para as autoridades de saúde local.
Números da doença em São Paulo
Em escala estadual, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) reportou que, até a quinta-feira (19) de janeiro de 2026, foram contabilizados 44 casos confirmados de mpox em todo o estado. Comparativamente, o ano anterior, 2025, apresentou um cenário diferente nos primeiros meses: foram 79 casos confirmados em janeiro e outros 47 em fevereiro, somando um total de 126 diagnósticos nos dois primeiros meses daquele ano. Essa variação nos números reforça a natureza dinâmica da disseminação viral e a contínua necessidade de monitoramento e pronta resposta por parte das secretarias de saúde municipais e estadual. A SES-SP assegura que acompanha de forma ininterrupta o panorama epidemiológico da mpox no estado, mantendo uma comunicação e articulação constantes com as secretarias de saúde locais e com toda a rede assistencial.
Compreendendo a mpox: Transmissão, sintomas e prevenção
Como o vírus é transmitido
A transmissão do vírus mpox ocorre, em grande parte, pelo contato direto e prolongado entre pessoas. Isso inclui contato pele a pele, como abraços, beijos e relações sexuais, onde secreções infectadas das vias respiratórias, feridas, lesões ou bolhas na pele de uma pessoa contaminada podem entrar em contato com outra. A exposição a gotículas e outras secreções respiratórias de uma pessoa infectada também pode levar ao contágio, especialmente em ambientes de proximidade. Além do contato humano, a mpox é uma zoonose viral, o que significa que ela pode, em tese, ser transmitida entre animais e pessoas. Embora o vírus tenha sido identificado inicialmente em colônias de macacos, a transmissão para seres humanos em surtos recentes tem ocorrido predominantemente de pessoa para pessoa. Roedores, como esquilos, e até mesmo cães domésticos foram identificados como potenciais hospedeiros do vírus, mas o foco principal de controle reside na transmissão interpessoal.
Sintomas e evolução clínica
Os sintomas da mpox podem variar em intensidade e geralmente surgem após um período de incubação. Entre os sinais mais comuns estão: dor de cabeça intensa, inchaço dos gânglios linfáticos (linfonodos), que pode ocorrer antes do aparecimento das erupções cutâneas, dor nas costas, dores musculares (dores no corpo), calafrios, febre e uma sensação geral de cansaço e mal-estar. A característica mais marcante da doença são as feridas na pele, conhecidas como erupções cutâneas, que podem aparecer em qualquer parte do corpo. Essas lesões evoluem de manchas para bolhas cheias de líquido, pústulas e, por fim, crostas que caem. Em casos suspeitos, a recomendação é fundamental: evitar o contato próximo com outras pessoas até que todos os sintomas desapareçam. É crucial também realizar o isolamento imediato e não compartilhar objetos de uso pessoal, como toalhas, roupas de cama e utensílios, para prevenir a disseminação do vírus.
Medidas de prevenção e tratamento
A prevenção da mpox passa por medidas de higiene e conduta. O isolamento de pessoas infectadas é a estratégia mais eficaz para evitar a propagação. A lavagem frequente das mãos com água e sabão ou uso de álcool em gel, a etiqueta respiratória (cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar) e a limpeza e desinfecção de superfícies são hábitos importantes. O rastreamento e monitoramento de contactantes de casos confirmados também são ações cruciais para interromper cadeias de transmissão. Em relação ao tratamento, o Ministério da Saúde informa que, até o momento, não há um tratamento específico ou antiviral amplamente disponível para a infecção pelo vírus da mpox. A abordagem médica concentra-se principalmente no alívio dos sintomas, como dor e febre, e na prevenção de possíveis sequelas a longo prazo. A maioria dos casos de mpox tem um curso autolimitado e os pacientes se recuperam espontaneamente, embora o acompanhamento clínico seja sempre recomendado.
A origem e a evolução da nomenclatura da doença
Desmistificando a “varíola dos macacos”
A doença agora conhecida como mpox recebeu, por muito tempo, a denominação de “varíola dos macacos”. Essa nomenclatura surgiu em 1958, quando o vírus foi inicialmente identificado em colônias de macacos utilizados em pesquisas. Contudo, é fundamental desmistificar a ideia de que os macacos são os principais transmissores da doença para os seres humanos. Apesar do nome original, a Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr) e outras entidades de saúde esclarecem que os primatas não desempenham um papel ativo na transmissão para humanos, que ocorre predominantemente entre pessoas já contaminadas. A mpox é, de fato, uma zoonose viral, o que significa que pode circular entre animais e pessoas. Além de macacos, o contágio pode ocorrer entre humanos e roedores, como esquilos, e outros mamíferos.
Monitoramento contínuo e articulação em saúde
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) desempenha um papel fundamental no enfrentamento da mpox, mantendo um monitoramento contínuo do cenário epidemiológico em todo o estado. Essa vigilância constante permite identificar padrões de transmissão, surtos e áreas de maior risco. Para garantir uma resposta eficaz, a SES-SP trabalha em articulação permanente com as secretarias municipais de saúde e com toda a rede assistencial. Os serviços de saúde em nível local são orientados e capacitados para realizar a identificação precoce de casos suspeitos, a notificação obrigatória às autoridades sanitárias e a investigação epidemiológica detalhada. Além disso, são responsáveis pela testagem laboratorial, pelo acompanhamento clínico dos pacientes e pelo rastreamento e monitoramento de todos os contactantes, seguindo rigorosos protocolos técnicos. Essa abordagem integrada é essencial para conter a disseminação do vírus e proteger a saúde pública.
Perguntas frequentes sobre a mpox
O que é mpox?
A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus mpox, que pertence à família Poxviridae. É classificada como uma zoonose viral, o que significa que o vírus pode ser transmitido entre animais e seres humanos. Contudo, nos surtos recentes, a principal forma de transmissão para humanos tem sido de pessoa para pessoa.
Como a mpox é transmitida?
A transmissão do vírus mpox ocorre predominantemente por contato direto e prolongado com uma pessoa infectada. Isso inclui contato pele a pele (como beijos, abraços, relações sexuais), contato com secreções respiratórias (gotículas) e contato com objetos ou superfícies contaminadas (roupas de cama, toalhas) utilizadas por um indivíduo doente.
Quais são os principais sintomas da mpox?
Os sintomas mais comuns da mpox incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, dor nas costas, cansaço e calafrios. É frequente o inchaço dos gânglios linfáticos (linfonodos), que pode anteceder ou acompanhar o surgimento de erupções cutâneas (lesões na pele) que evoluem para bolhas, pústulas e crostas.
Existe tratamento específico para a mpox?
Atualmente, não há um tratamento antiviral específico e amplamente disponível para a mpox. O tratamento foca no alívio dos sintomas, no manejo da dor e na prevenção de complicações. Em casos mais graves, pode ser indicada terapia de suporte e monitoramento hospitalar. A maioria dos casos é leve e se resolve espontaneamente.
Por que o nome mudou de “varíola dos macacos” para mpox?
O nome foi alterado em 2022 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para mpox (monkeypox virus). A mudança teve como objetivo evitar o estigma associado aos primatas e às regiões geográficas onde a doença foi inicialmente identificada, além de prevenir ataques a animais e promover uma comunicação mais precisa e inclusiva sobre a doença.
Os recentes casos de mpox em Santos e o panorama de monitoramento no estado de São Paulo reforçam a necessidade de uma abordagem informada e proativa para a saúde pública. A compreensão clara sobre os modos de transmissão, os sintomas característicos e a importância das medidas preventivas, como o isolamento e a higiene, são fundamentais para conter a disseminação do vírus. Além disso, a desmistificação do papel dos animais na transmissão e a adoção da nomenclatura correta são cruciais para evitar estigmas e garantir que o foco permaneça nas estratégias eficazes de saúde. A vigilância contínua das autoridades de saúde e a colaboração da população são pilares para o controle da mpox, protegendo a comunidade e garantindo o bem-estar coletivo. Para mais informações e orientações sobre a mpox, procure um profissional de saúde e acesse as fontes oficiais da Secretaria de Saúde do seu município ou estado. Mantenha-se informado e proteja a sua saúde e a da sua comunidade.
Fonte: https://g1.globo.com



