Desde a retomada das eleições diretas em 1982, o estado de São Paulo nunca elegeu um governador de um partido tradicionalmente identificado como sendo de esquerda. Nas últimas quatro décadas, o Palácio dos Bandeirantes foi ocupado por nomes do PMDB, do PSDB e, mais recentemente, do Republicanos.

A primeira eleição direta para governador depois da ditadura militar ocorreu em 1982 e terminou com a vitória de Franco Montoro, do PMDB. Ele foi seguido por Orestes Quércia, também do PMDB, eleito em 1986, e Luiz Antônio Fleury Filho, eleito em 1990, pelo mesmo partido.

Em 1994, Mário Covas venceu a eleição pelo recém-criado PSDB. A partir dali, a legenda passou a dominar as eleições para o governo paulista, com sete vitórias consecutivas até a eleição de Tarcísio de Freitas, do Republicanos, em 2022.

A hegemonia do PSDB em São Paulo

O cientista político Henrique Curi analisou a trajetória do PSDB em São Paulo e destacou que a longevidade tucana não se deve apenas ao perfil do eleitorado, mas também à estrutura partidária e à capacidade de formar lideranças.

Segundo Curi, a organização do partido nos municípios foi fundamental para as vitórias consecutivas. A Executiva estadual acompanhava a atuação dos diretórios nas 645 cidades paulistas e mantinha coordenadores regionais nas 63 regiões de governo do estado.

Origem do PSDB e hegemonia em São Paulo

O PSDB foi fundado em 1988 por políticos que haviam pertencido ao PMDB, como Franco Montoro, Mário Covas e José Serra. A partir daí, os tucanos construíram uma estrutura própria e ampliaram sua presença eleitoral nos municípios.

A explicação para a sequência de vitórias do PSDB vai além do perfil do eleitorado, envolvendo a capacidade organizacional e institucional do partido. A presença de uma classe média de centro-direita em São Paulo não é o único fator determinante, segundo o cientista político Henrique Curi.

Fonte: https://g1.globo.com

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