Em um movimento inesperado, a caderneta de poupança registrou um saldo positivo em maio deste ano, com mais dinheiro entrando do que saindo. Segundo o relatório divulgado pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (9), as entradas superaram as saídas em R$ 2,6 bilhões.
No último mês, os depósitos na poupança totalizaram R$ 368,4 bilhões, enquanto os saques alcançaram R$ 365,8 bilhões. Além disso, os rendimentos creditados nas contas somaram R$ 6,2 bilhões, elevando o saldo total da poupança para pouco mais de R$ 1 trilhão.
Mudança de cenário
Essa é a primeira vez no ano que a poupança apresenta uma entrada líquida. Nos anos anteriores, a tendência era de mais saques do que depósitos, com retiradas líquidas de R$ 87,8 bilhões em 2023 e R$ 15,5 bilhões em 2024. Em 2021, o saldo negativo chegou a R$ 85,6 bilhões.
Nos primeiros cinco meses de 2025, a poupança já acumula um total de R$ 39,1 bilhões em retiradas líquidas. Uma das razões para os saques é a manutenção da taxa Selic em patamares elevados, incentivando investimentos com maior rentabilidade.
Cenário econômico
De junho de 2024 a março de 2025, a taxa Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. Recentemente, o Copom realizou um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando-a a 14,5% ao ano. Apesar das incertezas globais e da pressão inflacionária, o Banco Central segue com sua estratégia de redução dos juros.
A Selic é crucial para o controle da inflação, com o objetivo de atingir a meta de 3% para o IPCA. A elevação da taxa básica tem o intuito de conter a demanda aquecida, impactando os preços ao encarecer o crédito e incentivar a poupança.
Em meio a esses acontecimentos, o IPCA de abril fechou em 0,67%, com uma inflação acumulada em 12 meses de 4,39%, dentro da meta estabelecida. A expectativa é de que os dados de maio, a serem divulgados na sexta-feira (12) pelo IBGE, ofereçam mais insights sobre o cenário econômico atual.
