A Polícia Federal de Campinas deflagrou, na manhã desta quarta-feira (13), a operação “Off-Balance”, que investiga suspeitas de gestão temerária envolvendo aproximadamente R$ 107 milhões do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC), na Grande São Paulo.
Segundo as investigações, os recursos da previdência municipal teriam sido aplicados em investimentos considerados de alto risco, sem análise técnica adequada, ausência de estudos de risco e possíveis falhas graves de governança.
Ao todo, agentes federais cumprem seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Cajamar, Boituva e São Paulo. A Justiça Federal também determinou o afastamento de servidores públicos ligados ao instituto e o bloqueio de bens dos investigados.
De acordo com a Polícia Federal, entre agosto de 2023 e março de 2024, o instituto realizou quatro aplicações financeiras em Letras Financeiras emitidas por bancos privados, totalizando cerca de R$ 107 milhões — o equivalente a aproximadamente 19,56% do patrimônio líquido do fundo previdenciário municipal.
Os aportes foram divididos entre o Banco Daycoval, que recebeu R$ 20 milhões, e o Banco Master, que concentrou R$ 87 milhões em três operações distintas, todas com vencimentos de longo prazo, entre oito e dez anos, e corrigidas pelo IPCA.
A PF apura se houve imprudência na gestão dos recursos públicos e possível favorecimento a determinadas instituições financeiras. O nome da operação, “Off-Balance”, faz referência ao desequilíbrio entre a obrigação de uma gestão previdenciária segura e os riscos assumidos nas aplicações.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a crise envolvendo o Banco Master, que entrou em liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central. O dono da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso em meio a investigações que apuram suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro e corrupção.
Segundo investigadores, o Banco Master oferecia investimentos com juros muito acima do mercado para atrair novos recursos, enquanto enfrentava dificuldades financeiras internas. As investigações apontam ainda suspeitas sobre o uso de ativos de baixa qualidade e carteiras de crédito consideradas irregulares para aparentar solidez financeira.
O Ministério Público de Contas de São Paulo já havia alertado, em abril do ano passado, sobre os riscos envolvendo investimentos milionários de institutos previdenciários municipais no Banco Master, incluindo o fundo de Cajamar.
Em nota, o Banco Daycoval informou que atuou apenas como emissor dos títulos e que a negociação ocorreu no mercado secundário, sem participação direta da instituição financeira na operação investigada. O banco afirmou ainda seguir rigorosamente as normas de compliance e governança do sistema financeiro nacional.
O caso segue sob investigação da Polícia Federal e pode ter novos desdobramentos nos próximos dias.



