A Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), no Rio de Janeiro, oficializa a incorporação de acervos de escritores indígenas ao seu patrimônio. A cerimônia de doação marca um momento histórico para a instituição e para a literatura brasileira, e será realizada durante a 1ª Festa Literária da Fundação Casa de Rui Barbosa (FliRui).

A iniciativa reforça a política de preservação da fundação, reconhecendo o papel fundamental de autores indígenas na literatura contemporânea. Os acervos serão integrados ao Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, setor responsável por salvaguardar a produção literária nacional.

Entre os doadores está Daniel Munduruku, renomado escritor, educador e ativista do povo Munduruku, autor de mais de 70 livros. Ele contribuirá com itens pessoais e profissionais, incluindo sua primeira máquina de escrever, fotografias, cartas, desenhos e exemplares originais de primeiras edições de suas obras.

Márcia Kambeba, escritora, poetisa e fotógrafa do povo Omágua/Kambeba, também fará uma doação significativa, composta por álbuns fotográficos produzidos em aldeias, desenhos autorais inspirados em grafismos tradicionais, poemas inéditos e objetos de sua cultura, como maracás, cuias e bordados.

Eliane Potiguara, pioneira como a primeira escritora indígena do Brasil e fundadora do Grumin, enriquecerá o acervo com cartas recebidas e enviadas ao longo de sua trajetória, manuscritos, materiais de pesquisa, registros de sua atuação política e comunitária, pôsteres, diplomas e documentos que testemunham décadas de dedicação ao movimento indígena.

O presidente da FCRB, Alexandre Santini, enfatiza que a chegada desses acervos representa um profundo reconhecimento e uma transformação institucional. Segundo ele, ao acolher as culturas indígenas como protagonistas do pensamento, da memória e da criação literária, a fundação abre caminho para uma compreensão mais ampla do país e do povo brasileiro, construindo esse processo com cuidado e respeito, incorporando diferentes formas de conceber e preservar a ideia de acervo.

A programação da FliRui inclui diversas atividades dedicadas às culturas originárias, como rodas de histórias, narrativas tradicionais e mediações para o público infantil, além de debates sobre línguas indígenas, processos criativos e modos de narrar o mundo. O evento será encerrado com uma conferência de Ailton Krenak sobre imaginação, arte e cinema.

Com o tema “Literatura e Democracia”, a Fundação Casa de Rui Barbosa celebra a diversidade literária em um ano especial para o Rio de Janeiro, reconhecido pela Unesco como Capital Mundial do Livro, com o objetivo de fortalecer a cidade como um território de leitura, memória e criação.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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