Após cumprir mais de 12 anos de prisão, Aleksandro Ichisato de Azevedo, condenado pela morte do estudante Marcos Delefrate durante um protesto em Ribeirão Preto, teve seu pedido de liberdade condicional negado pela Justiça.
Ichisato foi sentenciado a 18 anos e oito meses de prisão em regime fechado pelo crime ocorrido em junho de 2013. A defesa argumentou que, tendo cumprido mais de dois terços da pena e sem faltas graves nos últimos 12 meses, o empresário já teria direito ao benefício da liberdade condicional.
No entanto, a Justiça indeferiu a solicitação, alegando mau comportamento do condenado na prisão. O histórico de Ichisato é marcado por casos de desobediência, o que pesou na decisão. A 4ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve a decisão no fim de outubro, mesmo após um recurso da defesa.
A Procuradoria de Justiça reforçou a decisão do TJ, destacando que Ichisato ainda possui uma pena considerável a cumprir, com vencimento previsto para outubro de 2031. As duas faltas disciplinares graves, por desobediência, cometidas em abril e setembro de 2022, foram determinantes para a conclusão de que ele não preenche os requisitos para a liberdade condicional.
Atualmente, Ichisato cumpre pena na Penitenciária de Tupi Paulista, sendo este um dos oito presídios pelos quais já passou durante os 12 anos de encarceramento. A defesa ainda tem a possibilidade de recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O atropelamento que resultou na morte de Marcos Delefrate ocorreu no final de um protesto em 20 de junho de 2013, período marcado por manifestações em todo o país com reivindicações de mudanças políticas e econômicas. Ichisato e sua então namorada deixavam um supermercado em um carro quando se depararam com os manifestantes na zona sul de Ribeirão Preto.
Após uma discussão com o grupo, que pedia para que o empresário recuasse, Ichisato acelerou o veículo, atingindo Delefrate e outras 12 pessoas. O atropelamento foi gravado por outros manifestantes. Marcos Delefrate morreu no local, e pelo menos quatro pessoas ficaram feridas. Ichisato fugiu sem prestar socorro, mas foi preso em julho de 2013 em uma clínica para dependentes químicos.
Em 2020, o Tribunal do Júri o condenou inicialmente a 64 anos de prisão por homicídio qualificado e quatro tentativas de homicídio. A pena foi posteriormente reduzida para 18 anos e oito meses em 2021.
Fonte: g1.globo.com
