Uma mudança significativa na legislação de planejamento familiar em Campinas (SP) tem impactado diretamente a quantidade de procedimentos de esterilização realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região. Dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde revelam que, após a entrada em vigor da nova Lei do Planejamento Familiar, as laqueaduras passaram a superar as vasectomias, invertendo uma tendência histórica.
Inversão de cenários e impacto da legislação
Nos anos de 2024 e 2025, as estatísticas apontam que o procedimento feminino ultrapassou o masculino. Em 2024, foram realizadas 826 laqueaduras, contra 677 vasectomias. Já em 2025, a diferença manteve-se relevante, com 693 laqueaduras e 469 vasectomias. Essa mudança ocorreu após a nova lei reduzir a idade mínima para esterilização voluntária e retirar a exigência de autorização do cônjuge para o procedimento.
Perfil dos pacientes e reflexos na sociedade
A análise dos perfis dos pacientes revela que a responsabilidade pelo planejamento reprodutivo ainda recai majoritariamente sobre as mulheres. A mudança na legislação proporcionou maior autonomia feminina, refletindo uma demanda que já existia. Especialistas apontam que a simplificação do acesso à laqueadura contribui para a valorização do planejamento reprodutivo pelas mulheres. Veja também: Como Fazer Manutenção no Smartphone: Dicas Práticas e Eficazes.
A coordenadora da área de Saúde da Mulher da Secretaria de Saúde de Campinas, Mirian Nóbrega, destaca que a nova lei eliminou barreiras que dificultavam o acesso ao procedimento esterilizador. Ela observa um aumento na procura por métodos contraceptivos e ressalta a importância de oferecer opções reversíveis, como DIU e implantes contraceptivos, especialmente para pacientes mais jovens.
Para a professora titular do Departamento de Tocoginecologia da Unicamp, Fernanda Garanhani de Castro Surita, o alto número de laqueaduras reflete uma desigualdade histórica na divisão das responsabilidades pela contracepção. Ela ressalta a importância de conscientizar sobre a igualdade de gênero e a partilha das responsabilidades no planejamento reprodutivo.
Fonte: https://g1.globo.com



