O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou à Justiça, nesta terça-feira (17), a condenação da Prefeitura de Campinas ao pagamento de uma indenização de R$ 2 milhões. O pedido faz parte de uma ação civil pública em curso desde a trágica morte de uma criança, ocorrida em 2023, após a queda de um eucalipto na Lagoa do Taquaral. As alegações finais apresentadas pela promotora Luciana Guimarães apontam para uma suposta omissão da administração municipal no manejo e tratamento das árvores do parque. O relatório técnico do Centro de Apoio à Execução (CAEx) corrobora a tese do MP, indicando que falhas estruturais eram conhecidas desde 2015, reforçando a gravidade da situação que culminou no lamentável incidente na Lagoa do Taquaral, em Campinas.

Ação civil e o pedido de indenização

A solicitação do Ministério Público de São Paulo pela condenação da Prefeitura de Campinas marca um ponto crucial na ação civil pública que investiga a morte de uma criança na Lagoa do Taquaral. A promotora Luciana Guimarães, em suas alegações finais, defendeu que o município demonstrou negligência no cuidado com os eucaliptos do parque, culminando na tragédia de 2023. O valor da indenização pleiteado, R$ 2 milhões, destina-se a reparar danos morais coletivos e danos ambientais, sendo direcionado ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos, refletindo a exposição prolongada e frequente da população aos riscos.

A omissão apontada pelo Ministério Público

A base das acusações do MP-SP reside em um laudo técnico detalhado do Centro de Apoio à Execução (CAEx). Este documento crucial revelou que o eucalipto que caiu, provocando a morte da criança, possuía mais de 80 anos e apresentava sérios comprometimentos estruturais. A análise descreveu a árvore com uma “copa reduzida, sistema articular pífio, morto e depauperado , com tecidos comprometidos e com perda da capacidade estrutural”. Mais alarmante é a constatação de que o tombamento da árvore “não foi um evento súbito, um evento imprevisível”, mas sim a “consequência de um declínio vegetativo progressivo ao longo de diversos anos”, conforme as palavras da promotora.

Além disso, a investigação do CAEx resgatou um estudo contratado pela própria Prefeitura de Campinas em 2015. Esse estudo já alertava para a necessidade urgente de um plano de manejo e monitoramento das árvores no Taquaral. Contudo, segundo o MP, a administração municipal falhou em tomar as providências adequadas. A promotora enfatizou que a Prefeitura não poderia ter ignorado tais riscos, uma vez que “na administração pública a gente não pode ter conhecimento do risco e ignorar o risco”, destacando a responsabilidade do poder público em agir preventivamente.

A voz da família e o andamento judicial

A notícia do pedido de condenação do Ministério Público trouxe um misto de sentimentos para a família da vítima. Sergio Fermino, pai de Isabela, expressou que a iniciativa do MP-SP gera a sensação de que há um “senso de Justiça acontecendo”. Emocionado, ele ressaltou que, embora nenhuma quantia ou decisão possa trazer a filha de volta, a família busca ver que o incidente “não passou batido” e que medidas sejam tomadas para evitar futuras tragédias. “É óbvio que isso não vai trazer a Isabela de volta. Nós somos cristãos, acreditamos que ela já está com o Senhor Jesus e um dia nós estaremos com ela. Mas a saudade que nós sentimos é muito grande e fica aquele senso de que poderia ter sido evitado e não foi. A gente quer ver que isso não passou batido, e a decisão do Ministério Público vem de encontro com esse sentimento que a gente tem”, declarou Fermino, ecoando o desejo por responsabilização e mudança.

A busca por justiça e prevenção

A ação, que tramita na 3ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, aguarda agora a manifestação da Prefeitura, após a apresentação das alegações finais pelo Ministério Público. Somente após essa etapa, o juiz responsável pelo caso proferirá sua decisão. Além da indenização financeira, o MP-SP fez outros pedidos à Justiça, visando uma transformação na gestão do parque. Entre eles, estão a elaboração de um plano diretor abrangente para a Lagoa do Taquaral, a implementação de uma regulamentação rigorosa para eventos no local e a realização de plantios compensatórios, necessários após os cortes de árvores efetuados como consequência da tragédia. Essas solicitações buscam não apenas reparar o dano causado, mas principalmente garantir a segurança futura dos frequentadores do parque.

A defesa da Prefeitura de Campinas

Em resposta às acusações e ao pedido de condenação, a Prefeitura de Campinas manifestou-se por meio de nota oficial, defendendo sua atuação e apresentando justificativas para a queda do eucalipto. A administração municipal citou apurações conduzidas pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e pelo Instituto Biológico (IB), ambos órgãos vinculados ao Governo do Estado. Segundo a prefeitura, esses laudos concluíram que a queda da árvore foi causada pelo “encharcamento do solo”, uma condição que, de acordo com o município, “comprova que árvores saudáveis também estão sujeitas a quedas”, buscando descaracterizar a alegação de omissão no manejo da vegetação.

Medidas adotadas e justificativas

A administração municipal de Campinas detalhou as ações tomadas após o incidente. Foram removidos 99 eucaliptos do parque, seguindo um laudo técnico elaborado por uma assessoria externa. Atualmente, uma equipe de 40 colaboradores está dedicada exclusivamente à manutenção da Lagoa do Taquaral, incluindo o manejo das árvores, com um custo mensal de R$ 400 mil. A Prefeitura informou que segue um plano diretor sobre o assunto, elaborado em 2023, e que o local recebeu o plantio de novas árvores nativas, em substituição às que foram cortadas. Além disso, como medida preventiva, foi definido o fechamento dos parques municipais após chuvas superiores a 80 milímetros em um período de 72 horas, especificamente para mitigar os riscos de solo encharcado e eventuais quedas de árvores. A Prefeitura reiterou sua disposição em fornecer explicações ao Ministério Público e à Justiça, conforme necessário.

Desdobramentos e expectativa judicial

O processo agora segue para as considerações finais do juiz, que analisará todas as alegações, provas e defesas apresentadas. A decisão judicial será crucial para definir a responsabilidade da Prefeitura de Campinas na morte da criança na Lagoa do Taquaral e os termos de uma eventual condenação, que poderá incluir não apenas a indenização financeira, mas também a imposição de medidas preventivas e de gestão para o parque. A expectativa é que a sentença traga um desfecho para um caso que mobilizou a opinião pública e levanta importantes questões sobre a segurança em espaços públicos e a responsabilidade da administração municipal.

Perguntas frequentes

Quais são as principais alegações do Ministério Público contra a Prefeitura de Campinas?
O Ministério Público alega que a Prefeitura foi omissa no manejo e tratamento dos eucaliptos na Lagoa do Taquaral, ignorando um estudo de 2015 que já apontava falhas estruturais nas árvores e a necessidade de um plano de manejo. O MP argumenta que a queda do eucalipto não foi um evento súbito, mas resultado de um declínio vegetativo progressivo.

Qual o valor da indenização solicitada pelo MP e para onde será destinado?
O Ministério Público pede uma indenização de R$ 2 milhões. Esse valor é solicitado a título de danos morais coletivos e danos ambientais, e será destinado ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos, visando reparar a exposição prolongada da população aos riscos.

O que a Prefeitura de Campinas argumenta em sua defesa?
A Prefeitura de Campinas defende que a queda da árvore ocorreu devido ao encharcamento do solo, conforme laudos do IPT e do IB, e que árvores saudáveis também estão sujeitas a quedas sob essas condições. A administração também detalha medidas tomadas após o incidente, como a remoção de eucaliptos, a implementação de um plano diretor e a contratação de equipe especializada para manutenção do parque.

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