Um estudo recente publicado na revista científica PLOS One revelou que os macacos-prego, conhecidos por se alimentarem de frutas, folhas, flores e insetos, aumentam a caça de pequenos vertebrados quando a disponibilidade de frutos diminui. Os primatas, da espécie Sapajus libidinosus, foram observados durante 45 meses na Fazenda Boa Vista, no Piauí, em um registro extenso sobre a predação de animais como lagartos, roedores, aves, serpentes e marsupiais em períodos de escassez de frutos.

Durante o estudo, foram registradas 5.093 horas de observação e 446 eventos de consumo de vertebrados, com uma média de 6,34 episódios de predação a cada 100 horas de acompanhamento. Os macacos consumiram principalmente lagartos, roedores, aves, marsupiais, serpentes e outros animais, sendo os pequenos vertebrados uma fonte importante de energia quando os frutos são menos acessíveis.

Menos frutos, mais vertebrados

Uma das descobertas significativas do estudo foi a correlação entre a disponibilidade de frutos e a frequência da predação. Quanto menor a disponibilidade de frutos, maior a taxa de consumo de vertebrados pelos macacos-prego. Por outro lado, a quantidade de insetos disponíveis não teve relação significativa com a taxa de predação.

Os pesquisadores destacam a importância dos pequenos vertebrados na dieta dos macacos-prego, fornecendo proteína e gordura necessárias quando outros recursos alimentares escasseiam. A dinâmica da disponibilidade de frutos de palmeiras na Fazenda Boa Vista influencia diretamente o consumo de vertebrados, que aumenta durante a temporada chuvosa.

Do cérebro às vísceras

Além da preferência por pequenos vertebrados, o estudo detalhou quais partes das presas eram consumidas pelos macacos-prego. Aves eram frequentemente ingeridas inteiras, enquanto mamíferos tinham cauda e patas consumidas. Lagartos, serpentes e outros animais tinham partes específicas consumidas, com destaque para o cérebro e as vísceras, que são fontes energéticas importantes.

Os machos apresentaram uma taxa de consumo de vertebrados maior do que as fêmeas, indicando diferenças na predação entre os grupos. Filhotes consumiram menos vertebrados do que os adultos, demonstrando uma variação na dieta conforme a faixa etária dos macacos-prego.

Fonte: https://g1.globo.com

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