Douglas Alves da Silva, de 26 anos, preso sob acusação de tentativa de feminicídio, declarou à Polícia Civil que não percebeu ter atropelado e arrastado Tainara Souza Santos por cerca de um quilômetro, na Zona Norte de São Paulo. A vítima, que teve as pernas amputadas, necessitou passar por uma nova cirurgia.
O interrogatório ocorreu no 90º Distrito Policial, no Parque Novo Mundo, um dia após a prisão de Douglas. Ele relatou que nunca havia visto Tainara antes do incidente e que o atropelamento ocorreu quando tentava deixar o Bar do Tubarão, também no Parque Novo Mundo, após uma briga.
Segundo o depoimento, Douglas tentava defender um amigo, Kauan, que teria se desentendido com um homem que estava com Tainara. A versão de que não conhecia a vítima é a mesma apresentada no momento da prisão, em um hotel na Vila Prudente. Durante o interrogatório, Douglas disse que foi orientado por um advogado a esconder o carro em um local distante do ocorrido.
Na prisão, Douglas tentou tomar a arma de um policial e foi baleado. Na viatura, alegou que pretendia atropelar o acompanhante de Tainara, que supostamente o teria ameaçado de morte.
Durante o interrogatório, Douglas afirmou que tentou defender Kauan, foi atingido por uma garrafada no rosto e deixou o bar. Do lado de fora, continuou sendo ameaçado. Ao entrar no carro, viu o casal do outro lado da rua.
Douglas disse que acreditava que o carro não avançava devido a um problema mecânico causado pelo impacto com Tainara, e por isso acelerou para tentar sair do local. Afirmou que populares começaram a bater no carro, e ele fugiu em alta velocidade, sem imaginar que ela estava presa sob o veículo.
Na Marginal Tietê, segundo o depoimento, motoristas começaram a buzinar. Douglas relatou que só então abaixou o vidro e ouviu que havia uma mulher presa na parte traseira do carro. Parou metros à frente, perto de um posto de gasolina, mas fugiu a pé ao perceber que pessoas tentavam abrir a porta do veículo. Kauan, o amigo que estava com ele, teria descido do carro antes da fuga.
Douglas relatou ter ligado para familiares, falado com um advogado e sido orientado a esconder o carro longe do local dos fatos. Deixou o veículo na garagem do ex-sogro, no Itaim Paulista, e tentou se hospedar em hotéis afastados. Foi preso no dia seguinte após pegar um carro de aplicativo até um hotel na Vila Prudente. No depoimento, declarou estar “completamente arrependido” e negou qualquer relação com Tainara.
A Polícia Civil investiga se o atropelamento foi intencional e apura as circunstâncias da fuga e do resgate da vítima. O caso é tratado como tentativa de feminicídio motivada por extrema crueldade.
O crime ocorreu no sábado, após Tainara deixar um bar no Parque Novo Mundo. Testemunhas afirmam que Douglas avançou com o carro contra ela após uma discussão. Um funcionário do bar disse que viu o agressor acelerar o veículo na direção da vítima e, depois de atingi-la, puxar o freio de mão para aumentar o atrito do carro sobre o corpo dela. Testemunhas afirmam que Douglas teria agido por ciúmes.
Fonte: g1.globo.com
