A renomada fabricante de brinquedos Estrela atravessa um período desafiador, com uma drástica redução no número de funcionários ao longo de três décadas. O pedido de recuperação judicial, protocolado na última terça-feira (19), revelou que a empresa viu seu quadro de colaboradores despencar de aproximadamente 10 mil no auge operacional dos anos 1980 para apenas 1,5 mil atualmente.
O cenário de crise que se instaurou na Estrela foi motivado por diversos fatores, incluindo a abertura comercial no início dos anos 1990, que intensificou a importação de brinquedos e a concorrência com produtos asiáticos. Além disso, mudanças nos hábitos de consumo, concorrência desleal e a manutenção de taxas elevadas de juros no Brasil contribuíram para a situação delicada da empresa.
Redução de funcionários e busca por reestruturação
Atualmente, os 1,5 mil colaboradores da Estrela estão distribuídos nas unidades de Itapira (SP), Três Pontas (MG) e Ribeirópolis (SE), sendo a maioria localizada em Itapira. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Instrumentos Musicais e de Brinquedos do Estado de São Paulo (Sindbrinq), Maria Auxiliadora dos Santos, assegurou que a empresa afirmou não haver planos de demissões.
A busca por recuperação judicial visa negociar dívidas no valor de R$ 109,1 milhões, dos quais R$ 3,2 milhões são trabalhistas. A medida tem como propósito reorganizar o endividamento, preservar as operações e manter empregos, além de garantir a continuidade das atividades da empresa.
Impacto no setor de brinquedos
A crise enfrentada pela Estrela reflete as dificuldades do setor de brinquedos como um todo. As transformações no mercado, aliadas a fatores macroeconômicos, têm impactado significativamente as empresas do ramo. Maria Auxiliadora ressaltou que a instabilidade é generalizada, com uma queda expressiva no número de trabalhadores em todas as fábricas de brinquedos.
Diante desse cenário desafiador, a recuperação judicial surge como uma tentativa de reestruturação e de manutenção da Estrela como um ícone do setor de brinquedos no Brasil. A assembleia prevista para discutir o futuro dos trabalhadores reflete a preocupação e a incerteza que pairam sobre a empresa e seus colaboradores.
Fonte: https://g1.globo.com



