No início da carreira, Edson & Hudson arriscaram ao unir guitarras de rock ao ‘modão’ sertanejo, uma mistura que era vista como perigosa, mas que se tornou a identidade da dupla. A aposta foi inspirada na formação do guitarrista Hudson, que aprendeu a tocar o instrumento com solos de bandas como Pink Floyd, AC/DC e Guns N’ Roses.

“Eu não tinha como aprender a tocar guitarra tocando Chico Mineiro no violão”, explica Hudson. Apesar da fusão já fazer sucesso nos Estados Unidos com o country, ainda era uma aposta arriscada no Brasil.

“Ou era sertanejo, ou era rock, ou era pop. Mas aí resolvemos tacar uma pedra em cima disso tudo e falar: ‘Vamos fazer o nosso som’. Em 2002, ‘Azul’ estourou e consolidou a dupla. ‘Paramos de ter medo. Medo é o pior inimigo do artista’, afirma.

A Identidade Musical da Dupla

Hoje, a mistura é a identidade da dupla, mas no fim dos anos 1990, a aposta era arriscada. ‘Corríamos o risco do sertanejo não gostar porque era muito rock ‘n’ roll e do rock ‘n’ roll não gostar porque era muito sertanejo’, diz Hudson.

O receio tinha fundamento. Na década de 1970, Léo Canhoto e Robertinho, pioneiros no uso de guitarras no gênero, foram acusados de ‘estragar o sertanejo’. ‘A gente sempre ouviu dizer: ‘O sertanejo vai acabar’. Só que nunca acabou. Muito pelo contrário, só evoluiu’, afirma Hudson.

A Evolução do Sertanejo

Segundo o jornalista e pesquisador André Piunti, a ideia de um sertanejo ‘puro’ é um mito. ‘Ela [a música sertaneja]nunca foi pura. Ela sempre foi uma mistura de influências de vários lugares’, afirma.

A própria história do gênero comprova a tese. A viola caipira, símbolo do sertanejo, tem origem em instrumentos árabes e europeus. Na década de 1950, para ampliar o alcance comercial, o gênero incorporou ritmos estrangeiros, como a guarânia e o bolero, se distanciando da música caipira tradicional.

Fonte: https://g1.globo.com

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