Os economistas desafiam a visão tradicional de que os gastos públicos são os vilões da economia brasileira, afirmando que são os juros altos que têm pressionado a dívida pública do país. De acordo com especialistas consultados pela Agência Brasil, os juros elevados, que consumiram cerca de R$ 1 trilhão em um ano, são os principais responsáveis pela elevação da dívida, prejudicando a oferta de bens e serviços produtivos e beneficiando os bancos nacionais.
Impacto dos Juros na Dívida Pública
A professora de economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Juliane Furno, enfatiza que o aumento da dívida pública no Brasil é impulsionado pelos juros, não pelos gastos primários. Nos últimos 12 meses, o país gastou mais de R$ 1 trilhão com juros, o que representa 8,35% do Produto Interno Bruto (PIB). O crescimento da Dívida Bruta do Governo Central em 2026 foi influenciado principalmente pelos juros nominais, de acordo com o Banco Central.
Decisão Política sobre Modelo Macroeconômico
A economista Maria Mello de Malta, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que o modelo macroeconômico atual, com altas taxas de juros e cortes de gastos primários, é uma escolha política que favorece o setor financeiro em detrimento da população. Ela ressalta a importância de proteger os gastos públicos, que beneficiam os mais necessitados, e cortar os juros, que favorecem o mercado financeiro.
Para essa corrente de economistas, controlar a inflação estimulando a oferta é mais eficaz do que simplesmente cortar gastos e elevar os juros. Reduzir os juros, segundo eles, é fundamental para diminuir a dívida pública e promover o crescimento econômico, evitando aumento do desemprego.
