O desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sediado em Brasília, teve seu gabinete alvo de uma operação realizada pelo Conselho Nacional de Justiça nesta quinta-feira (24).
As buscas foram autorizadas pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, e executadas pela Polícia Federal, em uma correição extraordinária conduzida pelo conselho para investigar possíveis irregularidades na conduta do magistrado.
O desembargador Newton Ramos entrou na mira das investigações após menções em conversas encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Operação após cancelamento de precatórios
A operação ocorreu logo após o Conselho Nacional de Justiça determinar o cancelamento de precatórios de usinas sucroalcooleiras que haviam negociado com o Banco Master, totalizando R$ 4,7 bilhões. Essa medida foi uma resposta a despachos do TRF1 que liberaram depósitos de precatórios antes do desfecho final dos processos, atendendo a um pedido da Advocacia-Geral da União. Veja também: Como Funciona o Sistema de Injeção Eletrônica em Veículos.
Revelações e posicionamentos
A situação veio à tona após o Portal Metrópoles divulgar um contrato de R$ 427 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, com cláusulas de pagamento em caso de vitória em ações do setor. Além disso, mensagens obtidas pela Polícia Federal mencionam a advogada e o magistrado como parte da ‘Turma do KN’, em referência ao ministro Nunes Marques do STF.
Em resposta, Newton Ramos afirmou que permanece no cargo e considera o procedimento do CNJ como algo natural e regular. O escritório de Camilla Ramos admitiu ter contrato com o Banco Master, mas negou ter recebido qualquer pagamento por serviços ou êxito nas ações. Já Nunes Marques negou qualquer contato com Vorcaro ou autorização para falar em seu nome.
O TRF1 declarou que colaborou plenamente com a diligência e reforçou que a investigação não implica em culpa antecipada, respeitando o direito de defesa e a presunção de inocência do desembargador. O tribunal assegurou que suas atividades seguem normalmente.
* Com informações da Agência Brasil.
