Duas novas espécies de peixes anuais foram descobertas na bacia do rio Piranhas-Açu, no Rio Grande do Norte, por cientistas preocupados com a preservação ambiental. Batizados de Hypsolebias guararug e Hypsolebias negobispoi, esses animais enfrentam ameaças devido à exploração de petróleo onshore e ao avanço de parques eólicos na região. Liderada pelo biólogo Yuri Gomes Abrantes, a pesquisa não só descreve a morfologia e a genética dessas espécies, mas também alerta para questões urgentes relacionadas ao licenciamento ambiental no Brasil.

Características únicas e alerta ambiental

Essas novas espécies de peixes anuais possuem um ciclo de vida adaptado para sobreviver a longos períodos de seca, habitando poças temporárias na Caatinga. O que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a presença de uma anomalia visual inédita, com machos exibindo padrões de cores de fêmeas e vice-versa. Além disso, a contaminação dos habitats por altos níveis de Hidrocarbonetos Totais de Petróleo (TPH) levanta preocupações sobre os impactos ambientais e endócrinos nessas espécies.

Impacto da atividade humana

Análises químicas revelaram que a presença de petróleo nos habitats dos peixes pode estar relacionada à inversão de cores nos indivíduos. Embora ainda não haja uma confirmação científica definitiva, os pesquisadores estão investigando os possíveis efeitos tóxicos nos embriões dessas espécies. A degradação ambiental causada pela exploração de petróleo e pela instalação de parques eólicos tem impacto direto na classificação dessas espécies como ‘Em Perigo’ e ‘Criticamente em Perigo’.

A falta de inclusão de peixes em estudos ambientais, especialmente na região semiárida do Nordeste, evidencia uma falha sistêmica no licenciamento ambiental. Os cientistas, ao batizarem as espécies com nomes locais, buscam conscientizar sobre a importância da preservação desse ecossistema único e criticamente ameaçado.

Fonte: https://g1.globo.com

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