A comissária de bordo Thais Jucá, de Vinhedo (SP), está em uma corrida contra o tempo para garantir o estoque de um medicamento essencial para o tratamento da epilepsia de seu filho de 4 anos. Com a notificação da farmacêutica Abbott de que o remédio Depakote Sprinkle deixará de ser vendido no Brasil, Thais e seu marido, o engenheiro elétrico João Jucá, têm viajado por diversos estados em busca do medicamento que é crucial para a saúde do pequeno.
Desafios enfrentados pela família
A principal dificuldade enfrentada pela família é a falta de opções no mercado nacional que apresentem o mesmo formato de administração do Depakote Sprinkle, conhecido como ‘sprinkle’. Esse formato é fundamental para crianças ou pessoas com dificuldade de engolir, pois permite que os microgrânulos do medicamento sejam misturados a alimentos pastosos, como iogurte, facilitando a ingestão.
Segundo João Jucá, pai do menino, a busca por alternativas dentro do Brasil tem sido frustrante, uma vez que não há outro medicamento com a mesma forma de administração. A preocupação da família é garantir a continuidade do tratamento sem interrupções que possam colocar a saúde da criança em risco.
Impacto da descontinuidade do medicamento
A descontinuidade do medicamento pode trazer sérios riscos para pacientes com epilepsia, que dependem de uma rotina de tratamento estável para controlar a doença. O neurologista Willian Ferreira alerta que a mudança abrupta na medicação pode afetar a tolerabilidade do paciente e recomenda uma avaliação precoce para definir um novo plano terapêutico.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que a fabricante mantenha o mercado abastecido por 12 meses após a notificação de descontinuidade. No entanto, a validade dos produtos estocados pela família de Thais e João Jucá pode se tornar um problema, gerando incertezas sobre o futuro do tratamento do filho.
Posicionamento das autoridades e da farmacêutica
A Anvisa ressalta que não pode impedir as empresas de retirarem medicamentos do mercado, mas exige que a descontinuidade seja comunicada com antecedência e que o abastecimento seja garantido durante um período de transição. Já a Abbott, fabricante do Depakote Sprinkle, afirma que a decisão de interromper a produção não está relacionada à qualidade do medicamento e que as unidades disponíveis são seguras para uso até o vencimento.
Fonte: https://g1.globo.com



