O assessor especial da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, emitiu um alerta contundente durante sua participação na Conferência de Segurança Internacional do Forte, em Portugal. Ele destacou que a manipulação da Inteligência Artificial (IA) por um seleto grupo de empresas, localizadas em poucos países, tem o potencial de agravar as desigualdades globais e minar os sistemas democráticos.
Amorim ressaltou a postura das big techs, que se recusam a aceitar qualquer forma de regulação, e enfatizou como essas empresas de IA dominam setores inteiros, inclusive em nações desenvolvidas.
Ameaça às democracias e debates globais
A ameaça representada pelas big techs às democracias tem sido motivo de discussões em todo o mundo, especialmente devido à capacidade das redes sociais de direcionar o debate público, disseminar desinformação em massa e impactar o mercado de trabalho.
Neste contexto, Celso Amorim defendeu veementemente a necessidade de regulação das plataformas digitais visando um desenvolvimento tecnológico voltado para o bem comum, como a redução da pobreza, proteção ambiental e garantia dos direitos humanos.
Dados e soberania nacional
Amorim também abordou a importância da proteção cibernética como requisito fundamental para a soberania nacional no século 21, destacando que os ataques cibernéticos estão se tornando mais frequentes. Ele ressaltou que os dados se tornaram ativos valiosos que alimentam modelos de IA, influenciam decisões estratégicas e permitem monitoramento em larga escala.
Além disso, o embaixador alertou para o risco do uso da IA como arma de guerra, mencionando o desenvolvimento de armas autônomas e a necessidade de o Brasil investir em defesa para garantir sua capacidade de dissuasão.



