Em Belém, a Cúpula dos Povos, evento que ocorreu paralelamente à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), chegou ao fim com uma mensagem do cacique Raoni Metuktire, incentivando a persistência na defesa do meio ambiente. A liderança indígena, que há décadas alerta o mundo para a destruição ambiental, das florestas e dos modos de vida dos povos originários, reforçou a necessidade de união.

“Há muito tempo, eu vinha alertando sobre o problema que, hoje, nós estamos passando, de mudanças climáticas, de guerras”, afirmou Raoni, durante o encerramento.

O cacique apelou para que a missão de proteger a vida na Terra continue, com foco na luta contra aqueles que buscam destruir o planeta. “Eu quero que tenhamos essa continuidade de luta, para que possamos lutar contra aqueles que querem o mal, que querem destruir a nossa terra”, completou.

Raoni também criticou os conflitos e guerras globais, defendendo mais amor e respeito pela vida. “Há muito tempo, eu venho falando para que possamos ter respeito um com o outro e possamos viver em paz nessa terra”, disse.

O encerramento da cúpula foi marcado por um “banquetaço” na Praça da República, com distribuição de comida e celebração cultural aberta ao público.

No evento de encerramento, foi lida uma carta final que critica as “falsas soluções” para a crise climática. O documento destaca a importância do “internacionalismo popular” e da troca de conhecimentos para construir laços de solidariedade e cooperação entre os povos.

“As verdadeiras soluções são fortalecidas por esta troca de experiências, desenvolvidas em nossos territórios e por muitas mãos. Temos o compromisso de estimular, convocar e fortalecer essas construções”, diz o documento, que foi entregue ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, com a promessa de ser apresentado nas reuniões de alto nível da COP.

A carta enfatiza a centralidade do feminismo no projeto político, colocando o trabalho de reprodução da vida no centro das prioridades, e diferenciando-se da lógica econômica que prioriza o lucro.

O documento aponta o capitalismo como principal causador da crise climática, destacando que as comunidades periféricas são as mais impactadas. O texto também responsabiliza empresas transnacionais, como as dos setores de mineração, energia, armas e agronegócio, e as Big Techs pela crise.

A carta final pede a demarcação de terras indígenas, reforma agrária, fim do uso de combustíveis fósseis, financiamento público para uma transição justa e o fim das guerras, além de maior participação dos povos nas soluções climáticas, reconhecendo seus saberes ancestrais.

O documento também critica o avanço da extrema direita e das guerras, defendendo a Palestina e seu povo, e repudiando o genocídio praticado contra eles. A carta ainda critica a ação militar dos Estados Unidos no Caribe, vista como uma ameaça imperialista aos povos da região e da África.

A Cúpula dos Povos reuniu cerca de 70 mil pessoas de diversos movimentos sociais, povos originários e tradicionais, trabalhadores rurais e urbanos, e representantes de diversas comunidades, buscando promover um espaço de participação social na conferência climática.

O evento, que teve início com críticas à ausência de maior participação popular na COP30, foi marcado por uma “barqueata” em defesa da Amazônia e dos povos tradicionais e pela Marcha Mundial pelo Clima, que reuniu aproximadamente 70 mil pessoas nas ruas de Belém.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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