O Brasil se destaca entre os países signatários da criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), sediada em Xangai, na China. A proposta é estabelecer uma governança global de IA através de modelos de código aberto, amplamente acessíveis a empresas e organizações.
A iniciativa chinesa da Waico surge em contraste com o projeto dos Estados Unidos para o futuro da IA, conhecido como Pax Silica, que reúne aliados da Casa Branca visando controlar cadeias de suprimentos de semicondutores, minerais críticos e energia.
Brasil e a Soberania Digital em IA
Especialistas apontam que a participação brasileira na Waico representa uma oportunidade para o país desenvolver sua soberania digital. No entanto, para alcançar esse objetivo, é necessário fortalecer a infraestrutura nacional em IA e dados, como salienta o professor Sérgio Amadeu da Silveira, da UFABC.
Amadeu destaca a importância de uma estratégia autônoma e independente para o Brasil, enfatizando a necessidade de cooperação com a China, mas também de desenvolver recursos locais para processamento e armazenamento de dados.
Geopolítica da IA: O Papel do Brasil
O Brasil é apontado como um potencial ator chave na geopolítica da IA, capaz de transitar entre iniciativas chinesas e ocidentais. Especialistas ressaltam a importância de não limitar a IA a um setor específico, mas sim compreendê-la como uma vantagem geopolítica e econômica para o país.
O governo brasileiro defende a busca por uma soberania digital, mantendo diálogo com diversas iniciativas globais. O presidente Lula destaca a importância de uma governança intergovernamental da IA, que promova a inclusão de todos os Estados no debate e nas decisões sobre o futuro da tecnologia.
Desafios e Perspectivas Globais
A IA é considerada uma tecnologia disruptiva que impactará todos os setores da economia, sendo fundamental para o futuro da humanidade. Porém, a governança da IA deve ser compartilhada por todas as nações, evitando o controle por um grupo seleto de países ou empresas.
A Pax Silica, projeto dos EUA e seus aliados na área de IA, reflete a busca por um controle global da tecnologia, em contraposição ao modelo mais aberto proposto pela China. A disputa entre esses paradigmas ressalta a importância do Brasil em encontrar seu próprio caminho na era da inteligência artificial.



