A Polícia Civil de São Paulo, em colaboração com a Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), apreendeu uma moto aquática utilizada por criminosos para assaltar um casal que passeava de caiaque nas águas da Praia dos Milionários, em São Vicente, litoral paulista. O roubo, que chocou a comunidade local, ocorreu em 21 de janeiro, a poucos metros da faixa de areia, expondo a vulnerabilidade de banhistas. A embarcação foi localizada em uma marina da cidade, no dia 25 de janeiro, após intensa troca de informações entre as forças de segurança. Um dos suspeitos, Rael Fabiano Veiga Ungaretti, de 19 anos, está foragido, enquanto a polícia trabalha para identificar o segundo envolvido no crime, intensificando a busca pelos responsáveis e a garantia da segurança na orla marítima.
A dinâmica do roubo e a resposta inicial
O ataque em alto-mar
O incidente, gravado por uma testemunha e amplamente divulgado, ocorreu em plena luz do dia, em um domingo, 21 de janeiro, a cerca de 100 metros da movimentada Praia dos Milionários, em São Vicente. Um casal, que desfrutava de um passeio de caiaque, foi surpreendido por dois criminosos a bordo de uma moto aquática. A ação teve início de forma dissimulada: os assaltantes se aproximaram, realizando uma manobra brusca que espirrou água no caiaque, seguida de falsos pedidos de desculpas. Rapidamente, a abordagem se transformou em assalto, com os criminosos exigindo as alianças do casal.
A mulher, de 47 anos, relatou o terror vivido. Os assaltantes começaram a circular em torno do caiaque, desestabilizando a embarcação e aumentando o pânico. O marido, de 53 anos, tentou argumentar, mencionando que eram moradores locais, mas os agressores tornaram-se impacientes. Quando um dos remos do casal caiu na água, os criminosos aproveitaram para iniciar uma série de agressões físicas, utilizando os próprios remos. O homem sofreu ferimentos na perna, costas, nuca e cabeça. A vítima expressou seu desespero: “Se ele desmaia aqui, morre afogado”. Após as agressões e a entrega dos objetos de valor, a dupla abandonou os remos no mar e fugiu em alta velocidade na moto aquática, deixando o casal em choque e ferido.
A busca e apreensão da embarcação
A resposta das autoridades não tardou. A Polícia Civil, em coordenação com a Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), iniciou uma força-tarefa para localizar a moto aquática e identificar os criminosos. Imagens do roubo foram cruciais para a identificação de Rael Fabiano Veiga Ungaretti, de 19 anos, que agora é considerado foragido da justiça. O segundo assaltante ainda está sendo procurado.
Através de uma troca de informações entre os órgãos de segurança, a moto aquática foi identificada e encontrada em uma marina de São Vicente na quinta-feira, 25 de janeiro. A embarcação foi apreendida não apenas por seu envolvimento direto no crime, mas também por ter sido utilizada em uma área restrita a banhistas, infringindo as normas de navegação. As regras estabelecem que motos aquáticas só podem navegar a partir de 200 metros da linha de base, ou seja, da arrebentação das ondas. A Capitania dos Portos não divulgou o nome da marina onde a apreensão foi realizada. As investigações continuam para determinar a propriedade da embarcação e o envolvimento de outras pessoas.
A investigação em curso e os desafios
Forças-tarefa e fiscalização marítima
A apreensão da moto aquática é um desdobramento direto de uma série de ações conjuntas. A Capitania dos Portos, em colaboração com a Guarda Civil Municipal (GCM) de São Vicente e a Polícia Militar (PM), intensificou a fiscalização na região. Na terça-feira, 23 de janeiro, dias após o assalto, uma força-tarefa realizou vistorias em diversas marinas e garagens náuticas na tentativa de localizar a embarcação utilizada no crime.
Essa operação é parte de um esforço maior, a “Operação Navegue Seguro”, que a Capitania dos Portos tem conduzido no litoral paulista e que se estenderá até março. O objetivo é fortalecer a segurança da navegação, proteger a vida humana no mar e prevenir a poluição hídrica. A intensificação da fiscalização é vista como uma medida essencial para coibir não apenas crimes, mas também infrações às normas de segurança e uso de embarcações, especialmente em áreas de grande fluxo de banhistas. A prefeitura de São Vicente também tem apoiado essas iniciativas, promovendo fiscalizações em marinas com o intuito de inibir irregularidades, como o aluguel de motos náuticas sem registro, que podem ser empregadas em atividades ilícitas.
O clamor por segurança e as ações das autoridades
O assalto gerou grande revolta e um forte clamor por maior segurança na orla de São Vicente. Após o ocorrido, o casal recebeu ajuda de testemunhas, mas a mulher relatou uma sensação de impunidade ao buscar apoio inicial de um policial da Operação Verão, que teria indicado que “não havia o que fazer” no momento. Embora o registro de um boletim de ocorrência online tenha sido feito, a vítima enfatizou a necessidade urgente de “policiamento no mar” para evitar que crimes semelhantes se repitam.
Em resposta, as autoridades se manifestaram sobre o caso. A Polícia Militar esclareceu que, em situações de infrações penais já consumadas sem flagrante, a formalização de um boletim de ocorrência em uma delegacia é a medida adequada para subsidiar o planejamento de ações preventivas e investigativas. A Prefeitura de São Vicente, por sua vez, informou que a ocorrência foi atendida pela PM e que está estudando novas formas de regulamentar, com maior rigor, o trânsito de qualquer tipo de embarcação em sua orla. A administração municipal também destacou que a Marinha do Brasil é a principal responsável pela segurança no mar e que já oficiou os órgãos competentes, solicitando fiscalizações e monitoramento intensificados, particularmente durante a alta temporada, período em que a incidência de turistas e, consequentemente, o uso de embarcações, aumenta consideravelmente. O caso ressalta a complexidade da segurança pública em ambientes aquáticos e a necessidade de coordenação entre diferentes esferas governamentais.
Conclusão
A apreensão da moto aquática utilizada no assalto a um casal de caiaque em São Vicente representa um passo significativo na resposta das autoridades a um crime que gerou grande comoção. O incidente expôs as fragilidades da segurança em áreas marítimas frequentadas por banhistas e reforçou a urgência de medidas preventivas e repressivas eficazes. A colaboração entre a Polícia Civil, Capitania dos Portos, Guarda Civil Municipal e Polícia Militar demonstra a união de esforços para combater a criminalidade e garantir a tranquilidade de moradores e turistas. Contudo, a identificação e captura do segundo envolvido, bem como a implementação de um policiamento marítimo mais robusto e regulamentações mais rigorosas, permanecem como desafios cruciais. O clamor das vítimas e da sociedade por mais segurança no mar serve de alerta para a necessidade contínua de aprimoramento das estratégias de proteção em todo o litoral paulista.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Onde e quando ocorreu o assalto ao casal?
O assalto ocorreu em 21 de janeiro, um domingo, na Praia dos Milionários, em São Vicente, a aproximadamente 100 metros da faixa de areia.
2. Quem são os envolvidos no crime?
Um dos criminosos foi identificado como Rael Fabiano Veiga Ungaretti, de 19 anos, que está foragido. O segundo assaltante ainda não foi identificado pela polícia.
3. Por que a moto aquática foi apreendida?
A moto aquática foi apreendida por seu envolvimento no roubo e por ter sido utilizada em uma área restrita a banhistas, infringindo as normas de navegação marítima.
Para mais atualizações sobre este caso e informações sobre segurança marítima, acompanhe as notícias locais e os comunicados das autoridades competentes.
Fonte: https://g1.globo.com



