A comunidade acadêmica e o agronegócio brasileiro lamentam profundamente o falecimento de Antonio Roque Dechen, ex-diretor e professor titular da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq-USP), ocorrido neste domingo, aos 75 anos. Antonio Roque Dechen deixou um legado indelével para a agricultura do Brasil, sendo reconhecido por sua vasta contribuição como educador, pesquisador e gestor. Ele estava hospitalizado há mais de um mês após ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A professora Thais Vieira, atual diretora da Esalq, expressou o sentimento geral: “O professor Roque foi um grande exemplo para várias gerações, como professor e gestor, e deixa um legado à instituição e à agricultura nacional.” Sua dedicação à Esalq, à USP e ao desenvolvimento agrário do país é um testemunho de sua paixão e compromisso.
A trajetória acadêmica e profissional de um visionário
Antonio Roque Dechen dedicou sua vida ao avanço da ciência agrícola e à formação de novas gerações de profissionais. Sua jornada na Esalq-USP começou como estudante e evoluiu para uma carreira distinta que o levou ao topo da instituição e a posições de grande influência no cenário nacional. Nascido em Charqueada, São Paulo, em 5 de abril de 1950, filho de Carlos e Geny Semmeler Dechen, e casado com Sonia Carmela Falci Dechen desde 1975, sua vida foi marcada por um compromisso inabalável com o conhecimento e a aplicação prática na agronomia.
Formação e liderança na Esalq-USP
A base de sua sólida carreira foi construída na própria Esalq-USP, onde se graduou como engenheiro agrônomo em 1973. Aprofundando seus estudos, obteve o título de mestre em agronomia, com foco em Solos e Nutrição de Plantas, em 1979, e o doutorado em 1980. Essa especialização o capacitou a atuar com proeminência na área de Agronomia, com ênfase em Nutrição Mineral de Plantas, desenvolvendo trabalhos cruciais sobre análises químicas e avaliação do estado nutricional de plantas, temas de vital importância para a produtividade agrícola sustentável.
Sua capacidade de liderança foi reconhecida cedo na instituição. Antonio Roque Dechen serviu como vice-diretor da Esalq na gestão de 1995 a 1999, um período que precedeu sua ascensão ao cargo de diretor, que ocupou entre 2007 e 2010. Em ambos os papéis, ele impulsionou a excelência acadêmica e administrativa da Escola. Além de seus cargos diretivos, Dechen teve intensa participação em comissões estratégicas dentro da USP e da Esalq. Foi membro da Comissão Executiva das atividades alusivas aos 70 anos de criação da Universidade de São Paulo em 2004, e atuou na Comissão de Planejamento da USP de 2008 a 2010. Na Esalq, presidiu a Comissão do Sesquicentenário de nascimento de “Luiz de Queiroz” e a Associação dos Ex-Alunos de 1984 a 1991, além de liderar a Comissão de Cultura e Extensão de 1995 a 1999, e ser vice-presidente da Comissão de Pós-Graduação em 1992 e 1993. Sua contribuição para o curso de Pós-Graduação em Fisiologia e Bioquímica de Plantas foi notável, atuando como membro da Comissão Coordenadora de 1988 a 1995 e como Coordenador de 1994 a 1995. Em 1991, foi homenageado pelo Reitor da USP, Professor Roberto Leal Lobo e Silva, por seu relevante desempenho docente.
Reconhecimento e contribuições científicas
A competência e o impacto de Antonio Roque Dechen no agronegócio e na pesquisa foram amplamente reconhecidos por diversas entidades. Em novembro de 2007, foi eleito “Agrônomo do Ano de 2006” pela Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (AEASP), um testemunho de sua influência e reputação profissional. No ano seguinte, em 2007, recebeu o prestigiado “Prêmio IAC” como destaque na área de Ensino, sublinhando sua excelência pedagógica. Sua relevância foi ainda mais evidenciada ao ser relacionado pela Revista Dinheiro Rural entre as 100 personalidades de destaque do Agronegócio Brasileiro nos anos de 2015 e 2016, demonstrando sua influência contínua no setor.
Sua produção científica e editorial foi robusta e prolífica. Ele publicou impressionantes 108 artigos em periódicos especializados, foi autor de 8 livros e contribuiu com 38 capítulos de livros, enriquecendo a literatura agronômica. Além disso, dedicou-se à orientação de novos pesquisadores, supervisionando 18 dissertações de mestrado e 17 teses de doutorado, formando uma nova geração de cientistas e agrônomos. No âmbito da pesquisa, Antonio Roque Dechen atuou como pesquisador científico do Instituto Agronômico (IAC) em Campinas de 1975 a 1981, e coordenou o Núcleo de Apoio à Pesquisa em Bioenergia e Sustentabilidade da USP de 2007 a 2016. Essas atividades consolidaram sua posição como uma figura central na pesquisa e inovação agrícola.
O legado de Dechen na gestão e desenvolvimento agrícola
A administração da Esalq-USP ressaltou que, para além de suas notáveis contribuições como acadêmico e docente, Antonio Roque Dechen percorreu uma rica jornada na gestão de diversas entidades, exercendo um impacto significativo no desenvolvimento da agricultura brasileira. Sua atuação em múltiplos conselhos e fundações demonstra a amplitude de seu comprometimento com o avanço tecnológico, a sustentabilidade e a profissionalização do setor.
Influência em entidades do setor e conselhos
Antonio Roque Dechen desempenhou papéis cruciais em organizações que moldam o futuro do agronegócio. Foi Diretor da Fundação Agrisus, entidade dedicada ao fomento da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico na agricultura. Sua liderança estendeu-se à Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), onde atuou como Diretor de 1993 a 1999, e posteriormente como Diretor Presidente de 1999 a 2006, períodos em que a fundação expandiu significativamente suas atividades de apoio à Esalq e ao setor.
Além disso, Dechen foi Membro do Conselho Curador da Fundação de Apoio à Pesquisa da Universidade de São Paulo (FUSP), contribuindo para a governança e o direcionamento de investimentos em pesquisa. Sua voz era influente no Conselho do Agronegócio (COSAG) da FIESP, um fórum de debate e proposição de políticas para o setor. Ele também participou do Conselho de Notáveis do Prêmio Brasil Agrociência da Agrishow, reconhecendo e incentivando a inovação. No campo da sustentabilidade, foi Membro da Diretoria da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FBRAPDP), defendendo práticas agrícolas conservacionistas. Sua atuação foi estendida ao Conselho Deliberativo da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (AEASP) e como Conselheiro da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS) de 1996 a 2000, onde ajudou a guiar o desenvolvimento da ciência do solo no país. Dechen também foi Membro do Núcleo de Assessores em Tecnologia e Inovação (NATI), do CNPq, e Sócio Emérito da Associação Brasileira de Criadores (ABC), bem como Membro do Grupo Nutrientes Para a Vida da ANDA, sempre buscando aprimorar e difundir o conhecimento técnico-científico.
Engajamento na educação e regulamentação profissional
O compromisso de Dechen com a formação e a regulamentação profissional era notável. No Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (CREA-SP), atuou como vice-coordenador do Fórum de Ensino entre 1998 e 2000, influenciando diretamente a qualidade do ensino nas áreas de engenharia. Sua experiência e conhecimento foram levados ao Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), onde foi membro de 2001 a 2003, e posteriormente vice-presidente. No Confea, também presidiu a Comissão de Educação de 2001 a 2003, exercendo um papel fundamental na definição das diretrizes educacionais para as profissões ligadas à engenharia e agronomia. Além disso, foi membro da Diretoria da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (Abeas) de 1999 a 2004, contribuindo para a elevação dos padrões de ensino superior em agronomia no Brasil. Essas atuações demonstram seu profundo interesse em garantir que as futuras gerações de agrônomos estivessem bem preparadas e que a profissão fosse devidamente valorizada e regulamentada.
A memória de um mestre inspirador
Antonio Roque Dechen deixa um vazio no coração de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo e aprender com ele, mas sua vasta obra e dedicação permanecem como um farol para o futuro da agricultura brasileira. A professora Thais Vieira, diretora da Esalq, sintetizou o sentimento de muitos ao afirmar que o professor “deixa como legado sua dedicação à Esalq, à USP e à agricultura brasileira”. Sua influência se estendeu muito além dos muros da Esalq-USP, moldando políticas, impulsionando pesquisas e, acima de tudo, inspirando inúmeras gerações de estudantes e profissionais.
Como professor, gestor e pesquisador, Dechen personificou a excelência e o compromisso com o desenvolvimento sustentável e inovador do agronegócio. Sua vida foi um exemplo de como a paixão pela ciência e a educação podem transformar uma nação. A memória de Antonio Roque Dechen, um verdadeiro pilar da agronomia nacional, continuará a motivar e guiar aqueles que buscam aprimorar o setor agrícola e garantir um futuro mais próspero e seguro para o Brasil.
Perguntas frequentes
Quem foi Antonio Roque Dechen?
Antonio Roque Dechen foi um renomado engenheiro agrônomo, professor titular e ex-diretor da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq-USP). Ele faleceu aos 75 anos, deixando um vasto legado acadêmico, científico e de gestão para a agricultura brasileira.
Quais foram as principais contribuições de Antonio Roque Dechen para a agricultura brasileira?
Suas contribuições incluem a formação de gerações de agrônomos, vasta produção científica (artigos, livros, orientações), pesquisa em nutrição mineral de plantas, e atuação estratégica em diversas entidades e conselhos do agronegócio, como a Fundação Agrisus e Fealq, além de seu papel na regulamentação profissional em órgãos como o CONFEA.
Quais cargos de destaque Antonio Roque Dechen ocupou na Esalq-USP?
Antonio Roque Dechen atuou como vice-diretor da Esalq-USP na gestão 1995/1999 e como diretor na gestão 2007/2010. Ele também ocupou diversas outras posições de liderança em comissões e associações ligadas à instituição.
Qual o impacto do legado de Dechen na formação de agrônomos?
O impacto de Dechen na formação de agrônomos é profundo. Como professor e orientador, ele moldou a carreira de muitos mestres e doutores. Sua atuação em comissões de pós-graduação e em órgãos como CREA-SP e CONFEA contribuiu para a excelência e a qualidade do ensino agrícola superior no Brasil, estabelecendo padrões e inspirando futuras gerações.
Para saber mais sobre os avanços e inovações na agricultura brasileira, explore as publicações e o histórico de pesquisa da Esalq-USP.
Fonte: https://g1.globo.com



