Uma vila histórica composta por nove casas construídas em 1937 foi demolida na Vila Mariana, bairro localizado na Zona Sul de São Paulo, gerando indignação local. A ação ocorreu poucos dias após o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) negar o pedido de tombamento dos imóveis.
O fato que mais chamou atenção foi que a demolição aconteceu antes do término do prazo para a apresentação de recursos administrativos contra a decisão do conselho. Mesmo com o alvará de demolição exibido no local, datado de 2018 e já vencido, a Prefeitura de São Paulo informou que os imóveis foram embargados devido à demolição considerada irregular.
No dia 13 de junho, enquanto parte dos moradores se preparava para assistir à estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, uma retroescavadeira chegou à vila e iniciou a devastação das casas, surpreendendo a população local. A ação foi descrita como abrupta e rápida, tendo toda a vila sido reduzida a escombros em menos de três horas.
Recomendação de Preservação Ignorada
Curiosamente, em 2024, o Departamento do Patrimônio Histórico elaborou um parecer recomendando o tombamento do conjunto de casas, destacando sua importância histórica e arquitetônica. No entanto, o processo permaneceu sem uma decisão definitiva do Conpresp por mais de um ano, resultando na demolição.
Controvérsia e Descumprimento de Prazos
Especialistas apontam que a demolição ocorreu durante o prazo recursal, evidenciando um desrespeito aos processos legais. A arquiteta e urbanista Eliana Barcelos ressaltou que o rito administrativo previa um período de 15 dias para contestações após a publicação da decisão, prazo que não foi respeitado.
Moradores da vila alegam ter acionado autoridades durante a demolição, afirmando que o alvará apresentado pela empresa responsável estava vencido. Mesmo com uma decisão judicial anterior suspendendo qualquer intervenção na área, a ação prosseguiu sem considerar os impedimentos legais.
A perda do patrimônio histórico foi lamentada por antigos moradores e defensores da preservação, que enxergam a demolição como um ato lesivo à memória urbana da cidade e às futuras gerações.
Fonte: https://g1.globo.com



